A 4BIO, braço de medicamentos de alto custo do Grupo Profarma, está mudando o perfil de clientes e ampliou a rede logística para acompanhar um mercado em que o paciente deixou de ser quem paga, diz o vice-presidente da empresa, Vilson Schvartzman.
A companhia, criada para atender o consumidor final, vai passar a vender mais a hospitais, clínicas e operadoras de planos de saúde, e vai de dois para sete centros de distribuição até o fim do ano.
Para Schvartzman, a principal transformação é a fonte pagadora. Segundo ele, hoje dificilmente um produto de alto custo não é pago por plano de saúde ou pelo governo. O executivo estima em R$ 60 bilhões por ano o mercado fora das farmácias que passa por distribuidores.
A venda ao paciente não acabou, mas mudou, afirma. Regulamentações obrigaram as operadoras a pagar medicamentos orais, sobretudo oncológicos, e elas precisam de quem envie o produto à casa do beneficiário, no que chama de venda triangular.
Os dois centros que a 4BIO mantém, em Pernambuco e em São Paulo, ficam dedicados ao B2P (da sigla em inglês para empresa para paciente), seja o paciente que paga do próprio bolso ou o que tem a operadora como pagadora. Schvartzman diz que a empresa tem de 25% a 28% desse mercado e que ainda há espaço para crescer.
A oncologia é a principal linha. O executivo afirma que o segmento cresce de 12% a 15% ao ano, contra 6% a 7% do varejo farmacêutico, e que 45% dos lançamentos previstos para os próximos cinco anos são de remédios oncológicos. A meta é que a empresa, hoje mais forte em operadoras, seja identificada também como distribuidora de tratamento oncológico para clínicas.
Nas vacinas, a aplicação deixou de se restringir às clínicas e chega a laboratórios e farmácias, e o calendário passou a incluir imunizantes para adultos, não só infantis.
A empresa também mira doenças raras, em que atua pouco, mas que têm medicamentos de até R$ 4 milhões por ano por paciente. Para Schvartzman, a medicina preventiva também tende a ganhar espaço.
Para se adaptar, a 4BIO abriu cinco centros: Rio de Janeiro, já inaugurado, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e um segundo em São Paulo, voltados a hospitais, clínicas e operadoras.
O investimento é de R$ 20 milhões. As unidades têm de 1.500 a 2.000 metros quadrados e 500 itens.
O aporte sai do caixa do Grupo Profarma, que comprou a 4BIO da RD (Raia Drogasil) por R$ 600 milhões. A estratégia agora é crescer de forma orgânica, com meta de dobrar a participação de mercado.