O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que participa nesta semana do CPAC, considerado o maior evento conservador do mundo, disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue como principal liderança da direita no Brasil e “claro que fala de política com visitas” na prisão.
O evento ocorre em um hotel em Dallas, no Texas, até o fim de semana. Eduardo está nos Estados Unidos há um ano e se tornou réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de coação.
O filho do ex-presidente evita comentar quem deveria ser o vice em uma eventual chapa de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e diz preferir, no PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em vez do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como nome de uma terceira via.
Segundo Eduardo, Flávio busca o apoio de Donald Trump em uma eventual disputa contra Lula (PT) nas eleições de outubro.
PRISÃO DOMICILIAR
Após a decisão de Alexandre de Moraes de conceder a prisão domiciliar ao ex-presidente Bolsonaro por 90 dias, Eduardo diz que o ministro “já conseguiu o tempo de vida de Bolsonaro com esse estresse todo que ele levou em uma condenação surreal e uma prisão ainda mais desnecessária”.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo por comandar uma tentativa de golpe. O ex-deputado afirma que, com a domiciliar Bolsonaro, vai ter acesso a “um acompanhamento médico mais próximo de casa e, eventualmente, ir para o hospital na mesma hora”.
A decisão aconteceu após o ex-presidente ter sido diagnosticado com pneumonia bacteriana por broncoaspiração —ele terá alta nesta sexta (27). Eduardo admite que não está ciente quais os detalhes das condições para visitas, mas afirma que, com Bolsonaro na prisão, “a vida privada e pública dele se confundem”. “É claro que vão falar de política”, disse ele. “Bolsonaro continua sendo o líder da direita.”
Como a Folha mostrou, no início do ano enquanto cumpria pena na Papudinha, Bolsonaro foi procurado por 25 pré-candidatos em um mês que buscavam a bênção do ex-presidente. Agora, de acordo com a decisão do STF, estão autorizadas somente visitas de filhos e advogados, além de médicos e fisioterapeuta.
VICE
Eduardo se esquiva de apontar quem deve ser o nome indicado para ser o vice de Flávio e não comenta as chances de Tereza Cristina (PP) e o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo). “Depende mais do entorno dele, do Rogerio Marinho [coordenador da campanha do PL]. A minha parte é internacional”, afirma ele.
Flávio já afirmou que, se eleito, o irmão será o chanceler do Brasil. O ex-deputado, porém, afirma que é cedo para falar sobre o cargo, que “recebe com alegria” a possibilidade. “Mas, não tem nada certo.”
Ainda sobre a equipe que pode ser formada em um eventual mandato do irmão, ele diz que “Flávio tem uma excelente relação com Paulo Guedes“, ex-ministro da Economia. “Não sei o apetite para retornar à vida pública”.
Sobre a relação da ex-primeira-dama Michelle com o presidenciável, Eduardo diz que, “se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, eles têm que sentar para conversar e se entender”. “Eu acho que a decisão para a Presidência do Jair Bolsonaro não via, essencialmente, que tivesse que passar por ela. Um partido é uma hierarquia.”
CAIADO X LEITE
Com a saída de Ratinho Junior da disputa presidencial, Eduardo acredita que o caminho esteja pavimentado para Ronaldo Caiado assumir a chapa do PSD.
“Caiado é da direita. Não considero o Eduardo Leite direita. Ele é um social-democrata, que é um nome bonitinho para socialista, que é igual ao comunista. O comunista fala que vai te matar amanhã e o socialista fala que vai te matar semana vem.”
Eduardo nega que ele dividiria os votos da direita. “É mais um no debate para elogiar Lula”, ironiza ele, que prefere não o comparar com Padre Kelmon, candidato do PTB em 2022. “O nível de pancada do Caiado, com todo respeito ao Padre Kelmon, é muito maior.”
TRUMP
“Ele confirmou que não vem? Tô sabendo agora”, indaga Eduardo surpresa com a ausência de Trump no evento conservador. “Então, vou ter que ir na Casa Branca”, ri ele que admite que o fato do presidente não estar presente é uma frustração.
“É sempre bom encontrar ele. Poxa, está em meio a uma guerra com o Irã. Certamente é um assunto mais prioritário. Mas isso não tira aqui a oportunidade de falar com vários brasileiros e estrangeiros e até trocar experiências”, afirmou o ex-deputado —no evento, estão presentes nomes como os deputados federais Julia Zanatta (PL-SC), Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado na trama golpista e foragido da Justiça brasileira.
Sobre a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem na Casa Branca, ele diz que é “uma relação entre os dois países”. Uma reunião com o republicano era esperada pelo governo petista, mas uma data ainda não foi confirmada.
Porém, na visão de Eduardo, Lula estaria tentando o contrário. “Está tentando provocar o Trump para iniciar o conflito e depois tentar aumentar o seu capital político, dizendo-se detenção da soberania brasileira”, diz ele.
A fala do ex-parlamentar é relacionada aos discursos do petista com a imposição do tarifaço sobre os produtos brasileiros no ano passado. Eduardo desdenha da posição. “Acho que não vai colar”, diz.
À época, o filho de Bolsonaro foi criticado até por aliados à direita pelas articulações que levaram à sanção econômica do Brasil.
Com a imagem desgastada pelo escândalo do Banco Master, o ministro do STF Alexandre de Moraes voltou a mira de Eduardo para que seja, novamente, alvo da Lei Magnitsky, que aplica sanções financeiras nos Estados Unidos. Moraes e sua mulher, Viviane, foram sancionados no ano passado com a medida, que foi revista em dezembro.
“Ela pode retornar. Assim como ela saiu pela vontade do presidente, basta o presidente Trump querer que ela pode voltar. Por onde eu passo, eu tenho falado e pedido para esse retorno.”
Moraes, no ano passado, disse que havia indícios relevantes de que o filho de Bolsonaro agia para “a criação de um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil”.
Brasília Hoje
Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal
Na iminência de os Estados Unidos classificarem as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, Eduardo se diz a favor da medida e pretende usar o evento para conversar com autoridades do governo americano para que a designação seja confirmada.
“Todas as oportunidades que tiver para transformar a vida do bandido em pior, contem comigo para fazê-lo”, diz ele.
O governo Lula é contra e tem trabalhado para evitar que ela ocorra com medo de que a medida possa interferir nas eleições e também abra a possibilidade de que os Estados Unidos interfiram militarmente.
Para Eduardo, porém, o governo Trump estaria oferecendo “equipamentos e inteligência” para combater as facções.
O ex-deputado federal ainda disse que o governo de Joe Biden tentou pressionar o governo Bolsonaro na época da campanha eleitoral de 2022 e que a próxima eleição será “muito mais livre agora”. Antes das eleições em 2022, autoridades americanas expressaram preocupação com ameaças de Bolsonaro.
Fonte: Folha de S. Paulo