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MG: Candidatura de Cleitinho põe direita em curto-circuito – 10/08/2026 – Encaminhado com Frequência

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é candidato ao Governo de Minas Gerais. O anúncio encerrou semanas de idas e vindas. Líder nas pesquisas em todos os cenários de primeiro e segundo turno, ele faltou à convenção estadual da legenda por estar em luto pela morte do irmão Matheus, vítima de leucemia. Entendendo que a ausência era um sinal de falta de comprometimento, o partido cancelou o projeto e ele reagiu dizendo que seguia candidato.

Na segunda-feira (3), bastante emocionado e ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, anunciou a desistência de sua candidatura. No entanto, no dia seguinte, pediu a palavra na convenção nacional para voltar atrás, pedindo que o partido lhe desse a oportunidade de seguir como candidato ao governo.

Na quarta (5), o PL lançou Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg, para garantir palanque a Flávio Bolsonaro no estado. Dois dias depois, o Republicanos liberou a candidatura de Cleitinho.

Nos grupos de mensageria, as idas e vindas causaram bastante confusão e abriram espaço para que uma série de teorias fossem levantadas para explicar a indecisão na candidatura.

O pico da conversa ocorreu em 4 de agosto, dia em que ele desistiu de desistir, com volume 2,3 vezes acima da média diária da semana anterior, de acordo com a Palver, que realiza um monitoramento em tempo real em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram. Entre 3 e 5 de agosto, as mensagens sobre o tema concentraram 40% da discussão. Flávio Bolsonaro, citado em 14% das mensagens antes da desistência, saltou para 32% durante o recuo e caiu a 7% depois do anúncio.

Entre as mensagens que assumiram um lado no período do recuo, mais de 6 em cada 10 trataram a desistência como sabotagem. Foi a narrativa dominante, com 63%, e se apoiou no argumento de que “ninguém abandona uma eleição ganha”. Diante disso, iniciou-se uma especulação sobre quem seria o responsável por boicotar Cleitinho.

Uma parte apontou para o STF e Flávio Dino, argumentando que estariam fazendo supostas ameaças relacionadas ao corte de emendas parlamentares, o que não tem qualquer comprovação. Outra apontou para dentro da direita e mirou o presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, e o deputado Nikolas Ferreira, tratado como “bezerro de ouro” e acusado de trabalhar contra nomes alinhados a Flávio Bolsonaro. Marcos Pereira aparece em 12% das mensagens.

A segunda narrativa é a de que tudo não passou de um teatro para capturar atenção das pessoas e da imprensa, e foi essa narrativa que ganhou força desde o anúncio da candidatura na última sexta-feira (7).

Surge ainda uma terceira linha, ausente até a semana passada, que é a de traição, com 14% das mensagens do fim de semana. Como o PL já havia fechado com Flávio Roscoe, parte do bolsonarismo leu a volta da candidatura de Cleitinho como manobra para não dar palanque a Flávio e passou a chamar o senador de “traíra”.

Entre os que defendem Cleitinho, o nível de apoio era de 6% no período do recuo, e subiu para 17% depois do anúncio, apoiado na liderança nas pesquisas. Nos grupos de esquerda, predomina o deboche com a confusão alheia.

O registro das candidaturas vai até 15 de agosto, e Minas chega à reta final com a direita fragmentada entre Cleitinho e Roscoe, enquanto Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT) disputam do outro lado.

Cleitinho entra liderando com folga e com rejeição bem menor que a dos dois adversários mais bem colocados na Genial/Quaest de julho, mas perde a narrativa que lhe dava bastante projeção nos grupos que é a de vítima do sistema. Para Flávio Bolsonaro, resta a difícil decisão de escolher entre manter Roscoe e conviver com a divisão ou costurar apoio ao candidato que lidera as pesquisas.


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Fonte: Folha de S. Paulo

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