Um vídeo publicado na rede social Instagram no último domingo (16) alcançou quase um milhão de visualizações ao mostrar uma grande quantidade de lixo flutuando no rio Pinheiros, em São Paulo.
As imagens foram publicadas pelo ciclista Nelson Pinto de Carvalho, que passava pela ciclovia ao lado da marginal Pinheiros.
“Que beleza. São Paulo depois da chuva. Rio Pinheiros segue sendo tratado assim. Triste de ver. Isso não tem solução. Cada um tem que fazer um pouco. Destinar os plásticos ao usar é um começo”, escreveu o ciclista na legenda do vídeo.
No sábado pela manhã, uma forte chuva atingiu pontos da capital. A Defesa Civil chegou a mandar alertas sobre os riscos da tempestade.
“Infelizmente, essa cena é normal sempre que há eventos de chuva muito intensa. As cidades que fazem parte da bacia do rio Pinheiros têm um desafio gigantesco em relação à destinação adequada do resíduo sólido e ao saneamento básico”, explica Gustavo Veronesi, coordenador do programa Água Limpa da ONG SOS Mata Atlântica.
“Essas cidades, incluindo São Paulo, possuem uma deficiência grave na gestão de resíduos sólidos e apresentam índices de coleta seletiva ridículos. Eu moro na Lapa e, aqui, às vezes você precisa andar quarteirões para encontrar uma lixeira na rua”, diz.
“Há também a responsabilidade das empresas, que utilizam e comercializam embalagens de plástico e lucram com esse processo, mas não se responsabilizam pela disposição final nem participam efetivamente da logística reversa [devolução das embalagens às empresas]”, explica Veronesi.
Em nota à Folha, a SP Águas (Agência de Águas de São Paulo) afirmou que o grande volume de lixo no Pinheiros está associado ao descarte irregular de resíduos e ao volume de chuvas.
“Resíduos descartados irregularmente em vias públicas, bocas de lobo, córregos e demais áreas da bacia podem ser transportados pelo escoamento superficial e pelas redes de drenagem até os cursos d’água e, posteriormente, alcançar a calha do rio. Após eventos de precipitação, pode ocorrer maior aporte e concentração de materiais flutuantes em determinados trechos do canal”, disse a SP Águas.
A agência afirmou manter uma “operação contínua de limpeza do rio Pinheiros, com a interceptação, coleta, remoção, transporte e destinação adequada dos resíduos flutuantes e dos materiais acumulados junto às margens.”
Segundo SP Águas, desde janeiro de 2023, mais de 147 mil toneladas de resíduos foram retiradas do rio.
No ano passado, a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lançou uma PPP (Parceria Público Privada) destinada à “prestação de serviços de desassoreamento e manutenção dos rios Tietê e Pinheiros”. A escolha da empresa vencedora está prevista para este semestre.
Segundo o governo estadual, além do desassoreamento, o acordo de parceria também prevê serviços de limpeza do espelho d’água, com remoção de resíduos e vegetação aquática, conservação das margens e operação de barragens. Estão previstos investimentos de R$ 9,5 bilhões ao longo dos 15 anos de concessão.
Fonte: Folha de S. Paulo