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ONU: Israel faz extermínio na Cisjordânia, diz comissão – 26/10/2026 – Mundo

A Comissão Internacional Independente de Investigação sobre o Território Palestino Ocupado da ONU acusou o governo de Israel de promover o extermínio de palestinos na Cisjordânia em um relatório publicado nesta segunda-feira (26), afirmando também que as tropas israelenses continuam a cometer genocídio na Faixa de Gaza.

O documento foi publicado na véspera da eleição que definirá o futuro do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu à frente do país, que chegou ao terceiro ano seguido de conflito na região, após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultaram na morte de 1.200 pessoas e o sequestro de outras 251.

Tel Aviv rejeita absolutamente a conclusão dos investigadores. De acordo com o embaixador do país em Genebra, o relatório é “parte de uma campanha de desinformação da comissão para demonizar o Estado de Israel e apresentar sua própria existência como criminosa”.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou na rede social X que a conclusão dos investigadores “não é um relatório de direitos humanos, mas um documento de propaganda dissociado da realidade, destinado a minar o direito de Israel à autodefesa, deslegitimar o Estado judeu e legitimar o terrorismo jihadista contra seus cidadãos”.

Os analistas afirma que os militares israelenses promovem “tortura, estupro e outras formas de violência sexual, além de perseguição por motivos discriminatórios” como “nacionalidade, raça e origem étnica”.

De acordo com o parecer, ao menos 1.080 palestinos foram mortos —dentre esses, ao menos 244 eram crianças— e 10.940 foram feridos na Cisjordânia ocupada. A conclusão aponta que aproximadamente 95% das mortes e 82% dos ferimentos foram causados diretamente por forças de segurança israelenses, sendo o restante atribuído aos ataques de colonos.

Em suas conclusões na nova publicação, a comissão afirma que foi criada uma “cultura militar”, na qual palestinos são completamente desumanizados e punidos pelas autoridades pelo atentado de 7 de Outubro, uma ferida aberta para os israelenses.

Para os analistas, o ataque contra civis é “produto de uma política de Estado”, no qual os militares também contam com a violência dos colonos. Eles destacam ofensivas contra crianças palestinas, que se tornaram “parte de um padrão de violência intencional” que “não é incidental ou colateral à violência mais ampla”.

“O assassinato e o ultraje deliberados de civis palestinos e a destruição de moradias na Cisjordânia fazem parte de uma estratégia mais ampla para exterminar e deslocar os palestinos e impor condições de vida que se tornam inabitáveis”, disse o presidente da comissão, o advogado indiano Srinivasan Muralidhar.

A comissão, que não fala em nome de toda a ONU, foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da organização em 2021. Até novembro de 2025, foi presidida pela recém-vencedora do Nobel da Paz, Navi Pillay —cuja láurea foi criticada pelo governo Netanyahu, que afirmou legitimar o ódio contra o seu país.

O relatório surge em meio a uma série de ataques aéreos do Exército israelense em Gaza, mesmo que um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos esteja em vigor desde outubro do ano passado.

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal, disse que, no total, 13 pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas por ataques de Israel em 24 horas. A última ofensiva aérea na região deixou cinco mortos —entre eles, uma menina de sete anos.

A comissão afirma no novo documento que as forças e autoridades israelenses “continuam a praticar atos genocidas, com a intenção genocida de destruir, no todo ou em parte, os palestinos em Gaza”. Segundo o relatório, os ataques persistiram mesmo após a trégua, deixando mais de 1.431 mortos —entre eles, ao menos 300 crianças e 130 mulheres— e 5.026 feridos até 30 de setembro deste ano.

Os investigadores também apontam que a expansão do controle territorial israelense está diretamente associada às mortes. Segundo a comissão, Israel passou a controlar ao menos 60% de Gaza, acima dos 53% previstos no acordo de cessar-fogo.

Entre outubro de 2025 e abril deste ano, ao menos 196 palestinos foram mortos nas proximidades da chamada “linha amarela”, demarcação militar que, segundo o relatório, está sob “contínua fortificação”, com a criação de pelo menos nove novas bases militares e infraestruturas de apoio —o que “indica que ela não se destina a ser apenas uma linha de demarcação temporária”.

O documento da comissão das Nações Unidas apresenta falas de autoridades do governo Netanyahu ao longo do conflito. Entre elas, está um depoimento de maio deste ano do comandante do Comando Central do Exército de Israel, Avi Bluth, no qual diz que os soldados estão “matando como não se fazia desde 1967”.

Junto a Bluth, está a ministra dos Assentamentos e Projetos Nacionais de Israel, Orit Strock, que afirmou que a existência dos palestinos é um risco. “Nunca haverá um Estado palestino na terra de Israel, porque não existe essa coisa de povo palestino”, disse Strock durante um discurso no Knesset, o Parlamento israelense, em 2024. “[Isso constituiria] uma ameaça existencial ao Estado de Israel e à paz mundial.”

As Nações Unidas vivem um momento de tensão com Tel Aviv, que se queixa repetidamente do tratamento que seu país recebe da organização. O governo Netanyahu rompeu relações com a secretaria-geral, que é chefiada até o fim do ano pelo português António Guterres, acusando-o de os culpar pelo atentado de 7 de Outubro.

Por outro lado, o relatório também responsabiliza a Autoridade Palestina por crimes de violência estatal —mesmo que esta tenha competências limitadas na Cisjordânia ocupada.

Segundo os autores, o órgão governamental atua “contra palestinos que expressam opiniões civis e políticas dissidentes”, sendo culpado por prisões ilegais, tortura e morte de ativistas dos direitos humanos e jornalistas, como o assassinato de uma estudante de jornalismo que registrava abusos de forças palestinas na cidade de Jenim.

A Autoridade Palestina não se manifestou sobre o documento.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, alertou para o risco de uma “limpeza étnica” na cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, onde Israel lançou uma ampla operação após a morte de dois soldados em um ataque no final da última semana.

“A punição coletiva constitui uma grave violação do direito internacional. As ameaças de esvaziar e apagar bairros inteiros também levantam sérias preocupações sobre uma possível limpeza étnica”, afirmou Türk em um comunicado.

Fonte: Folha de S. Paulo

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