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Estresse continua? Por que Ibovespa cai 3% hoje após terça mais tranquila no mercado

O Ibovespa tinha forte queda nesta quarta-feira (28) após uma terça mais “tranquila”, seguindo os ajustes pós-eleição, com investidores também de olho na temporada de balanços, que incluía os números de Santander Brasil (SANB11) e Hypera (HYPE3), e analisando potenciais desdobramentos da ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Além disso, a decisão de política monetária nos EUA também está no radar.

Na segunda pós-eleição, o índice desabou 13,88% e o circuit breaker foi acionado em meio à forte queda dos mercados com a reeleição de Lula.

Já às 12h (horário de Brasília) desta quarta, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 2,78%, a 170.828 pontos, após ter chegado a cair mais de 3% mais cedo.

“O Ibovespa segue pressionado pelos ajustes após a reeleição do presidente Lula. O mercado continua buscando sinais mais claros sobre um ajuste fiscal crível, a contenção dos gastos, a trajetória da dívida pública e a definição da futura equipe econômica, fatores que seguem determinantes para a formação de preços dos ativos domésticos”, avalia Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

Também na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa não apresenta um sinal consistente de recuperação, mesmo após a forte correção na segunda-feira. “A máxima “caiu, comprou” não se aplica automaticamente ao momento atual, com o índice de volta a patamares observados em agosto. Antes de buscar novas oportunidades, será importante observar sinais gráficos que ajudem a definir a próxima direção do mercado”, afirmaram no relatório Diário do Grafista.

De acordo com a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, a bolsa brasileira segue impactada pelas repercussões políticas e econômicas do período pós-eleitoral. “Os agentes financeiros monitoram de perto os sinais sobre a formação da equipe econômica do governo e as perspectivas para a condução das contas públicas a partir do próximo ano”, afirmou.

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No campo político, o senador Flávio Bolsonaro desembarcou nesta quarta-feira em um aeroporto de Miami de uma aeronave particular, mostraram imagens da Reuters TV, depois de o parlamentar descumprir decisão da Justiça que determinou que ele entregasse seus passaportes após a derrota na eleição presidencial no domingo.

Para analistas do Citi, o episódio tem três implicações principais, sendo uma delas a redução quase a zero das chances de contestação ou reversão do resultado eleitoral. Eles também citaram que ele enfraquece o protagonismo político da família Bolsonaro na direita, abrindo espaço para novas lideranças e diminui a probabilidade de novos movimentos de rua questionando o desfecho eleitoral.

No exterior, Nossig também destacou expectativa para a decisão de juros nos Estados Unidos nesta tarde como mais um componente que corroborava a cautela no pregão brasileiro. As apostas no mercado apontam manutenção dos juros pelo Federal Reserve na faixa de 3,75% a 4%. A decisão será conhecida às 15h (horário de Brasília).

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Araújo ressalta que a atenção estará concentrada no comunicado e nas sinalizações sobre a duração da pausa e a possibilidade de novo aperto monetário. Os rendimentos dos Treasuries permanecem elevados, enquanto o petróleo em alta adiciona pressão às expectativas de inflação e limita o espaço para uma melhora mais consistente dos ativos de risco.

“Os balanços de Microsoft e Alphabet também permanecem no radar por sua capacidade de influenciar o humor global, especialmente em tecnologia, inteligência artificial e computação em nuvem. Para o mercado brasileiro, porém, o comportamento do Ibovespa após a abertura mostra que, neste momento, os fatores domésticos seguem predominantes: a combinação entre dúvidas fiscais, indefinição sobre a equipe econômica e expectativa pela decisão do Fed mantém a volatilidade elevada e reduz a força de uma eventual recuperação ao longo do pregão”, avalia o consultor.

Poucas altas

“Bancos puxando, com queda forte. O que ‘salva’ é Petrobras, que recua bem pouco”, diz Luciano França, sócio-fundador, gestor de renda variável da Paramis Avantgarde.

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Além disso, está no radar relato de que a equipe econômica do governo federal estuda cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre títulos que hoje são isentos de Imposto de Renda – Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e debêntures incentivadas. Hoje, a alíquota de IOF sobre essas aplicações é zero.

“O cenário de credito privado seguirá desafiador. O que dá esse tom mais negativo à Bolsa é essa ideia de tributação em títulos isentos. Acaba afetando a pessoa física na ponta. Empresas que dependem de captação de títulos isentos sofrem. Afeta setores como imobiliário, de infraestrutura”, diz França, da Paramis.

O nível de incerteza fiscal segue elevado. “O mercado espera algum sinal sobre austeridade fiscal. O governo parece não reagir muito neste sentido. Pelo teor da disputa eleitoral no segundo turno, há dúvida enorme sobre se isso vai acontecer”, afirma Gabriel Gonçalves, analista de alocação da Ghia Multi Family Office.

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Ainda, a equipe econômica do presidente Lula prepara um projeto de lei complementar (PLP) para que, a partir de 2027, o governo possa controlar os gastos para alcançar o centro da meta de superávit primário para aquele ano, de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

“O mercado ainda espera alguma sinalização mais concreta quanto ao fiscal. Isso é o que poderia acalmar ou reverter parte dessa queda”, diz Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management.

Para Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, a volatilidade hoje tende a permanecer elevada, enquanto o mercado ainda aguarda sinais mais concretos sobre a trajetória das contas públicas, as prioridades econômicas do próximo governo e a decisão de juros dos EUA pelo Federal Reserve.

DESTAQUES

• SANTANDER BRASIL UNIT (SANB11) caía 4,21% após reportar lucro líquido recorrente de R$ 2,89 bilhões no terceiro trimestre, queda de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, com piora na rentabilidade e aumento nas provisões na comparação anual. O presidente-executivo do banco, Gilson Finkelsztain, afirmou nesta quarta-feira que o Santander Brasil (SANB11) trabalhará para melhorar sua rentabilidade após um resultado no terceiro trimestre abaixo do que busca, enquanto destacou um cenário macroeconômico ainda desafiador, principalmente pelo nível elevado das taxas de juros.

• BRADESCO PN (BBDC4) recuava 5,21%, tendo ainda de pano de fundo relatório de analistas do Itaú BBA cortando a recomendação dos papéis para “market perform” e o preço-alvo para R$ 20, ante R$ 22. ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) perdia 3,62%, BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) cedia 2,47% e BTG PACTUAL UNIT (BPAC11) caía 5,99%.

• PETROBRAS PN (PETR4) mostrava declínio de 0,42% antes da divulgação do relatório de produção e vendas do terceiro trimestre, que será conhecido após o fechamento do mercado. No exterior, o barril do Brent (LCOc1) mostrava elevação de 1,27%, a US$ 115,33. Analistas do Citi elevaram o preço-alvo das PN da Petrobras (PETR4) de R$ 47 para R$ 56, citando o cenário de alta dos preços do petróleo, mas reiteraram recomendação neutra por incertezas envolvendo a alocação de capital da petrolífera.

• VALE ON (VALE3) caía 1,81%, mesmo em pregão com alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 1,05%, para 672 yuans (US$ 100,81) por tonelada métrica. A mineradora brasileira (VALE3) divulga seu balanço do terceiro trimestre na quinta-feira, após o fechamento do mercado.

• KLABIN UNIT (KLBN11) recuava 4,34%, com investidores também repercutindo o resultado do terceiro trimestre da fabricante de papel para embalagem e celulose, que mostrou lucro líquido de R$ 393 milhões no terceiro trimestre, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2025. A empresa destacou que o desempenho foi afetado pelo aumento de custos ligados às medidas de mitigação do El Niño, pela valorização do real frente ao dólar e por maiores gastos com insumos e fretes. O custo caixa total somou R$ 3.483 por tonelada, alta de 12% ante os três meses encerrados em setembro de 2025.

• HYPERA ON (HYPE3) subia 2,52% no primeiro pregão após a divulgação do balanço, bem como do anúncio de programa de recompra de ações. No terceiro trimestre, a farmacêutica apurou lucro líquido de R$ 527 milhões, crescimento de 16,1%, acima das previsões de analistas compiladas pela LSEG. A dona de marcas como Neosaldina, Coristina e Semavy teve receita líquida de R$ 2,44 bilhões de julho ao final de setembro, alta de 9,4%.

• MOVIDA ON (MOVI3), que não faz parte do Ibovespa, desabava 13,2%, tendo também no radar o lucro líquido de R$ 152,1 milhões no terceiro trimestre, salto de 117% em relação ao mesmo período de um ano antes e acima do guidance. O Ebitda da empresa de aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos totalizou R$ 1,79 bilhão, expansão de 21,4% na base anual. No setor, LOCALIZA ON (RENT3) perdia 4,03%.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

Fonte: infomoney

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