O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), está reunido com líderes parlamentares nesta quarta-feira (28) para discutir a possibilidade de propor uma reforma política no processo eleitoral para vagas no legislativo.
A iniciativa prevê substituir o atual sistema proporcional pelo voto distrital misto, com uma etapa de transição nas eleições de 2030. A previsão discutida entre líderes partidários é que o novo modelo seja implementado integralmente em 2034.
A articulação avançou após uma reunião de Motta com dirigentes do PP, União Brasil, PSD, MDB, Republicanos, Podemos, PSDB e Cidadania. O presidente da Câmara também pretende negociar o texto com partidos de esquerda e com o PL, que saiu fortalecido das eleições deste ano.
Para se alterar o sistema eleitoral brasileiro, será necessário aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição, que deverá ser validada pela Câmara e pelo Senado. Sem a necessidade de promulgação por parte do presidente em vigor.
Por que o Centrão quer mudar o sistema eleitoral?
A proposta ganhou força depois do crescimento da bancada bolsonarista nas eleições de outubro. O PL conquistou 121 cadeiras na Câmara e se tornou o maior partido da Casa, enquanto legendas do Centrão perderam espaço.
Pelo modelo atual, os votos recebidos por uma legenda ou federação são considerados na distribuição das cadeiras. Isso permite que o desempenho de candidatos muito populares contribua para ampliar a representação partidária.
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Segundo o Estadão, dirigentes do Centrão discutem alternativas para reduzir esse efeito, observado em candidaturas com forte presença nas redes sociais, como as de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).
Como funciona o sistema atual?
Hoje, deputados federais, estaduais, distritais e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional. O sistema proporcional mistura a quantidade de votos a cada deputado e a votação que cada partido recebe para determinar a quantidade de cadeiras conquistadas.
O modelo garante que os votos excedentes daqueles candidatos conhecidos como “puxadores de votos”, não sejam descartados e possam ajudar a eleger outros candidatos do mesmo partido ou federação.
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Isso significa que um candidato pode receber mais votos individuais do que outro de um partido diferente e, ainda assim, ficar sem mandato, dependendo do desempenho total de sua legenda.
O que é o voto distrital misto?
No voto distrital misto, parte das cadeiras é preenchida por representantes de distritos eleitorais, enquanto outra parte é distribuída conforme a votação dos partidos.
O território é dividido em distritos, e cada eleitor passa a ter dois votos: um para escolher um candidato de sua região e outro para uma legenda partidária.
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A proposta em discussão prevê combinar representantes eleitos diretamente nos distritos com parlamentares escolhidos por listas partidárias.
A definição do tamanho dos distritos, das regras para as listas e da distribuição das cadeiras ainda depende do texto que será elaborado pela Câmara.
E como funciona o distritão?
No modelo conhecido como distritão, o estado funciona como um único distrito eleitoral. São eleitos os candidatos com as maiores votações individuais, até o preenchimento de todas as vagas disponíveis.
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Nesse formato, a quantidade total de votos recebidos pelos partidos deixa de determinar a distribuição das cadeiras. Um candidato muito votado não ajuda automaticamente outros nomes de sua legenda a conquistar mandato.
O distritão aparece nas negociações como uma possível regra de transição para 2030. A versão definitiva da proposta, contudo, ainda será discutida pelos partidos.
Fonte: infomoney