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O novo valor estratégico das aquisições de startups de IA – 29/10/2026 – Martha Gabriel

Aquisições de startups de tecnologia por bancos, hospitais, varejo, agronegócio e todo tipo imaginável de vertical já não são novidades há muito tempo. Nem transações bilionárias.

Nessa categoria, aqui no Brasil, tivemos alguns casos significativos nos últimos anos, como a compra da Linx pela Stone (2020), do KaBuM! pelo Magazine Luiza (2021), da RD pela TOTVS (2021 e 2024) e da Anota.AI pelo iFood (2022).

Nesse sentido, à primeira vista, o recente anúncio da aquisição bilionária da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, pelo Itaú, poderia ser considerado apenas mais uma dessas iniciativas, seguindo a tendência. Só que provavelmente não é.

Talvez essa transação inaugure um novo marco estratégico na história das aquisições.

Historicamente, as grandes empresas compravam startups de tecnologia para acelerar a sua transformação digital e conquistar vantagens competitivas para melhorar, acelerar ou expandir o negócio.

Os principais benefícios das aquisições eram: acelerar a inovação, incorporando tecnologias prontas e reduzindo tempo de desenvolvimento; adquirir talentos e conhecimento, absorvendo equipes especializadas e competências difíceis de formar internamente; expandir mercados, conquistando novos clientes, segmentos e canais de distribuição.

Também visavam aumentar a eficiência, automatizando processos, reduzindo custos e elevando a produtividade; ampliar receitas, incorporando novos produtos, serviços e modelos de negócios; e neutralizar ameaças competitivas, adquirindo tecnologias disruptivas antes que concorrentes utilizassem.

No entanto, a operação de compra da NeoSpace pelo Itaú sinaliza uma transformação nessa lógica competitiva. O Itaú não está apenas adquirindo uma startup de tecnologia para aumentar a produtividade ou acelerar a sua transformação digital.

O banco está adquirindo uma capacidade tecnológica estratégica: modelos, propriedade intelectual, pesquisadores e competências para desenvolver inteligência artificial adaptada aos próprios negócios.

Isso significa uma diferença central na natureza da vantagem competitiva que as aquisições de startups de IA representam. Antes, as empresas compravam startups de tecnologia para ampliar a sua capacidade de EXECUTAR.

Agora, podem estar comprando startups de inteligência artificial para transformar a sua capacidade de aprender, decidir, criar, além de executar. Ou seja, para ampliar a capacidade de PENSAR, não apenas o EXECUTAR.

Além disso, nesse tipo de aquisição existe também uma dimensão de soberania tecnológica corporativa, que permite maior domínio sobre a evolução dos modelos, o tratamento dos dados e a diferenciação competitiva, ainda que isso não signifique independência completa de infraestrutura externa.

Assim, as aquisições de startups de IA provavelmente entram em uma nova fase em que capacidades próprias de IA passam a ser ativos estratégicos de alto valor. O grande salto está na passagem da aquisição de capacidades operacionais para a aquisição de capacidades cognitivas.


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Fonte: Folha de S. Paulo

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