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Tenda vê reforma ttributária e fim da 6×1 como aliados – 05/11/2026 – Negócios


São Paulo


Enquanto construtoras avaliam os efeitos da reforma tributária e do fim jornada de trabalho 6×1 sobre seus custos, a Tenda aposta que as mudanças podem favorecer empresas com processos mais industrializados, como é o seu caso.

Em teleconferência com analistas e investidores para a apresentação do balanço do terceiro trimestre, nesta quinta-feira (5), a diretoria da Tenda afirmou que o seu modelo de atuação, baseado em maior controle da produção e contratação direta de trabalhadores, pode colocá-la em posição mais favorável diante das mudanças regulatórias, embora ainda haja incertezas sobre os efeitos financeiros das novas regras.


Empreendimento da Tenda em Salvador, Bahia

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Divulgação Tenda

A Tenda já opera na escala 5×2 nos canteiros de obras. No terceiro trimestre deste ano, a empresa reorganizou suas operações ao transferir o volume produtivo dos sábados para os dias úteis, com custos adicionais pontuais mínimos e sem prejuízo ao cronograma de obras, segundo Luiz Maurício Garcia, CFO e Diretor de Relações com Investidores da Tenda.

A reorganização se apoia no modelo industrializado e na mão de obra própria: dos 7.959 colaboradores ao fim de setembro, 6.113 eram diretos (76,8% do total), alta de 6,8% em um ano. Segundo a administração, isso amplia o controle da produção e reduz a dependência de terceirizadas.

Em relação à reforma tributária, a diretoria da Tenda disse que a empresa mantém um projeto-piloto interno para mapear os reflexos sobre custos, créditos e fluxo de caixa, além de integrar interlocuções com a Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS, a Caixa Econômica Federal e a Abrainc (associação das incorporadoras).

A administração espera que a simplificação tributária e benefícios à habitação popular favoreçam operações do Minha Casa Minha Vida (MCMV), foco da Tenda.

Segundo Garcia, a reforma poderia representar uma contribuição de aproximadamente 1,5 a 1,8 ponto percentual para a margem bruta da companhia. Ele, porém, ressaltou que ainda não incorpora esse benefício às projeções devido à incerteza sobre o cronograma de implementação e os efeitos efetivos da mudança.

BALANÇO

A Tenda registrou lucro líquido de R$ 57,3 milhões no terceiro trimestre, refletindo uma queda de 48,7% ano a ano e ficando abaixo das estimativas dos analistas, que esperavam lucro de R$ 136 milhões, conforme balanço publicado na quarta-feira.

O CFO atribui a retração do lucro principalmente à redução do preço nominal das vendas, aos custos de construção e aos efeitos classificados como outros, que incluem ajustes relacionados a repasses e distratos.

A receita líquida somou R$ 1,25 bilhão, 10,5% maior que um ano antes, praticamente em linha com o R$ 1,27 bilhão esperado por analistas em média.

A margem de lucro deixou de contar com R$ 15,2 milhões em economias de obras do segundo trimestre. No terceiro, a companhia teve custo adicional pontual de R$ 2,9 milhões, ligado à estabilização de fábricas e a ajustes pelo fim da jornada 6×1.

A piora da margem bruta da empresa levou o lucro líquido a vir abaixo das estimativas, segundo relatório do Itaú BBA liderado pelo analista Elvis Credendio. A ação da construtora reflete a visão mais conservadora dos especialistas após o balanço, operando em forte queda de 15% perto das 14h desta quinta-feira.

A redução do crédito direto aos compradores, intensificada pela inadimplência e pela restrição de crédito, também pressionou o preço nominal. Segundo a companhia, ela reduz a receita na venda, mas também o capital empregado e o risco de inadimplência.

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Apesar da pressão sobre a rentabilidade, a operação comercial continuou aquecida. As vendas brutas da marca Tenda atingiram R$ 1,5 bilhão no trimestre, alta de 22,1% em relação ao mesmo período de 2025. A velocidade de vendas brutas chegou a 28,3%.

O avanço foi acompanhado, porém, pelo aumento dos distratos, que somaram R$ 292,8 milhões, crescimento de 55% ante o trimestre anterior. A companhia atribui a alta principalmente à greve de quase 20 dias na Caixa Econômica Federal, que atrasou processos de financiamento, além de mudanças temporárias nos critérios de comprometimento de renda e maior rigor nas entrevistas de crédito.

As vendas líquidas da marca Tenda ficaram em R$ 1,21 bilhão, avanço de 10,5% na comparação anual. A empresa afirma que setembro e outubro já mostraram recuperação comercial, com melhora no volume de vendas e nos preços, e espera que os distratos retornem gradualmente aos patamares históricos.

Os lançamentos também avançaram. A marca Tenda lançou 11 empreendimentos no trimestre, com valor geral de vendas (VGV) de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, desconsiderando o programa Pode Entrar, que postergou o pagamento de quase R$ 45 milhões. No consolidado, que inclui a operação Alea, divisão de casas industrializadas, foram 14 empreendimentos, com VGV de R$ 1,64 bilhão. O preço médio de lançamento da marca Tenda chegou a R$ 271,5 mil por unidade, alta de 15,9% em um ano.

O movimento acompanha a estratégia da Tenda de ampliar a participação nos segmentos de renda mais alta do Minha Casa, Minha Vida. Projetos das faixas 3 e 4 representaram 54,5% do VGV lançado no período. A companhia estreou na faixa 4 em Salvador (BA).

O grupo acrescentou que espera um resultado líquido consolidado para 2026 entre R$ 600 milhões e R$ 660 milhões.

Para 2027, a administração prevê ampliar o VGV de lançamentos em 15% a 20%, conciliando crescimento, caixa e recuperação das margens.

Após o balanço, as ações da Tenda caíam cerca de 11%, a R$ 17,53, às 11h05 desta quinta-feira (5), menor patamar desde maio de 2025. No ano, recuavam cerca de 27%.

(Com Reuters)

Fonte: Folha de S. Paulo

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