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‘Não falei com Lula nem tenho nada marcado. Isso foi plantado para queimar alguém que defendeu a proposta’, diz economista André Lara Rezende

Lara Resende – Devem ser racionalizados e coerentes. O governo deve custar o mínimo possível e tributar o mínimo possível. Os gastos com a máquina pública e com as transferências devem ser integralmente cobertos pela arrecadação tributária, e devemos exigir que essas contas estejam equilibradas. Porém, os gastos de investimento — e temos sempre que definir o que é gasto de investimento, por isso a necessidade de um conselho que faça isso —, teria um orçamento separado cujo custeio não viria pela arrecadação. Dizer que uma empresa só pode investir com recursos próprios é fazer com que ela fique impossibilitada de crescer. Em uma economia de crédito, é óbvio que adotar uma medida dessas seria restringir o investimento. O mundo contemporâneo é da teoria do crédito, embora, infelizmente, a teoria econômica ainda pense como uma economia de real, onde o crédito e o setor financeiro são irrelevantes. É muito difícil que as pessoas abram a cabeça. Elas aprenderam assim. Virou um dogma. Eu até entendo quem defendia isso em 1950, mas fazer isso em 2026? Com a hipertrofia financeira do mundo — e basta ver a proporção de ativos financeiros em relação à renda? Não faz sentido. Até a [revista britânica] The Economist, conservadora e cada vez mais burra, reconheceu isso. O mundo de hoje não é de renda, mas de riqueza, de ganho de capital. A riqueza financeira hoje é a expansão de crédito, são os direitos sobre produtividade humana, que não são inflacionários porque não se transformam imediatamente em despesas.

Fonte: G1 globo

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