O equilíbrio das contas públicas e os juros elevados continuam no centro das atenções dos agentes econômicos, que aguardam medidas concretas de gestão fiscal para reduzir a pressão sobre o orçamento do país. Segundo o fundador e CEO da AZ Quest, Walter Maciel, a recuperação da credibilidade governamental é o único caminho sustentável para aliviar o custo da dívida.
A análise foi detalhada no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, no qual o executivo analisou o cenário macroeconômico nacional, os desafios das empresas frente ao custo do capital e os rumos das contas públicas.
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De acordo com Maciel, o montante gasto com juros é a consequência direta do desequilíbrio nas contas do governo, e não a causa primária da pressão orçamentária. Na visão do gestor, a melhora na percepção de risco abriria espaço para uma queda expressiva nas taxas de juros, gerando alívio fiscal sem a necessidade de intervenções artificiais na economia.
“Se o governo recuperar a credibilidade, o juro poderia estar a 9,50% e não a 13,75%. E se o juro estivesse a 9,50%, você teria uns R$ 350 bilhões a menos de gasto com juros todo ano. Isso sozinho resolve o fiscal”, afirmou o executivo sobre o impacto direto da confiança do mercado no orçamento público.
Desafios da renda variável e aversão ao risco
Ao avaliar o ambiente para investimentos, o CEO da AZ Quest ressaltou que o patamar mais alto da taxa básica penaliza mais as empresas de médio e pequeno porte, dificultando a rolagem de dívidas e a geração de caixa.
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Por outro lado, a escassez de recursos públicos abre espaço para o financiamento privado em setores estratégicos, favorecendo papéis de crédito privado de alta qualidade em detrimento de estratégias de renda variável.
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A perspectiva para a indústria de gestão, porém, é de um ambiente prolongado de aversão ao risco por parte dos investidores. Na leitura de Maciel, o momento desafiador deve afetar diretamente as casas de menor porte, sem que isso represente necessariamente uma onda de fusões entre gestoras.
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“Nesse cenário, a turma que tem menor patrimônio sob gestão tende a fechar as portas. Agora, você vê consolidação? Não. Como é que consolida? Você só consolida a parte de dinheiro de longo prazo, que normalmente está na parte de alternativos; aí sim posso adquirir outro fundo, colocar para dentro e adicionar ao meu patrimônio”, concluiu.
Fonte: infomoney