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Polícia

Adolescente que matou melhor amiga deixa unidade socioeducativa para fazer tratamento odontológico em clínica particular de Cuiabá

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A adolescente que matou a melhor amiga, Isabele Ramos Guimarães, de 14 anos, no dia 12 de julho em um condomínio de luxo em Cuiabá, deixou o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) na tarde desta quarta-feira (24), sob forte escolta armada, para realizar um tratamento odontológico em uma clínica particular da capital. Ela está internada desde meados de janeiro deste ano.

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) esclarece que a adolescente recebeu atendimento odontológico, nesta quarta-feira (24), para concluir um tratamento já iniciado antes de entrar na unidade socioeducativa.

Ainda segundo a Sesp, a saída, feita com escolta e adoção de medidas de segurança, é autorizada nos casos em que o atendimento não pode ser realizado dentro do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) ou no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Sesp informa que o caso da adolescente em questão não é uma exclusividade e já houve situações em que outros adolescentes foram atendidos na rede privada, cujo custo foi assumido pela família. Vale ressaltar ainda que a autorização para o procedimento ocorre mediante avaliação da equipe de saúde do Sistema Socioeducativo.

Relembre o caso

Isabele Guimarães Rosa, de 14 anos, morreu ao ser atingida por tiro na cabeça no condomínio Alphaville, em Cuiabá. — Foto: Instagram/Reprodução

Isabele Guimarães Rosa, de 14 anos, morreu ao ser atingida por tiro na cabeça no condomínio Alphaville, em Cuiabá. — Foto: Instagram/Reprodução

No dia 12 de agosto, o laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a pessoa que matou Isabele estava com a arma apontada para o rosto da vítima, a uma distância que pode variar entre 20 e 30 cm, e a 1,44 m de altura.

A reconstituição do crime foi feita no dia 19 de agosto.

A polícia indiciou a autora do tiro, que tem 15 anos, por ato infracional análogo a homicídio doloso no dia 2 de setembro. A investigação concluiu que a versão apresentada por ela, no decorrer do inquérito, era incompatível com o que aconteceu no dia da morte e que a conduta da suspeita foi dolosa, porque, no mínimo, assumiu o risco de matar a vítima.

O Ministério Público Estadual (MPE) acusou a amiga de matar Isabele — ato infracional análogo ao crime de homicídio doloso, quando há intenção ou assume o risco de matar — e no dia 10 de setembro pediu a internação provisória dela.

Seis dias depois, a Justiça aceitou o pedido do MPE, ordenou a internação da menina e deu início ao processo que tramita em sigilo. No entanto, a internação durou menos de 12 horas, porque a Justiça concedeu um habeas corpus a pedido da defesa dela.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a adolescente em liberdade até a conclusão do processo, com medidas cautelares, como não sair depois de meia-noite de casa e não ingerir bebida alcoólica.

No processo, que está em sigilo, as testemunhas de defesa e acusação já foram ouvidas.

Os pais da adolescente que matou Isabele também se tornaram réus no dia 17 de novembro por homicídio culposo (quando não há intenção de matar), posse ilegal de arma de fogo, entrega de arma de fogo a pessoa menor, fraude processual e corrupção de menores. O processo ainda está tramitando e não houve pedido de prisão dos pais.

O pai do namorado da adolescente que matou Isabele é dono da arma usada no crime. Ele e o filho, que levou a arma até a casa da ré no dia da morte, também foram denunciados pelo MPE e se tornaram réus no dia 2 de setembro.

O pai do jovem responde por omissão de cautela na guarda de arma de fogo, já que teria obrigação de guardar as armas em local seguro. Já o adolescente responde por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma de fogo, porque transitou armado sem autorização.

Isabele Guimarães Ramos — Foto: Fantástico
Isabele Guimarães Ramos — Foto: Fantástico

No fim de novembro, o MPE pediu, pela segunda vez, a internação da adolescente acusada.

Os pais da adolescente que matou Isabele pediram à Justiça, em dezembro, uma nova perícia no DNA encontrado na arma do crime. O procedimento, segundo a defesa do casal, é para saber se o sangue encontrado no armamento é de Isabele. No mesmo pedido, o casal quer que seja feita outra perícia na parte externa do banheiro onde ocorreu o crime, como porta, maçaneta e armários, em busca de resquícios de pólvora nas superfícies.

A defesa do casal também anexou imagens do namorado da filha com armas e pediu acesso a mensagens que ele apagou do celular. A Justiça ainda não respondeu aos pedidos.

Fonte: G1

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