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Alta das queimadas em RO já passa de 330% antes do fim de outubro; número de focos é o maior desde 2015

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De 1º a 28 de outubro deste ano, estado registrou 2.401 pontos de chamas, enquanto no mesmo mês do ano passado foram 556; há cinco anos, região acumulou 2.470 focos no igual período. Dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A alta das queimadas em outubro de 2020 em Rondônia já é de 335% antes mesmo do mês terminar, na comparação com igual época do ano passado. Dados captados do satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que, nos 28 dias de outubro deste ano, o estado somou 2.401 pontos de chamas. Em 2019, foram 556.

O número de focos em outubro de 2020 é o maior para o estado desde 2015, quando Rondônia acumulou 2.470 pontos de fogo em todo o mês daquela época.

A quantidade atual de focos também faz com que o mês este ano seja o oitavo pior outubro em incêndios na região desde 1998. Nos primeiros 20 dias, estava em nono lugar. O pior ano para o mês continua sendo 2003: Rondônia registrou 7.593 focos ativos naquele período, segundo o Inpe.

Nesses 28 dias, o estado passou à terceira colocação do ranking das regiões do Norte que mais acumularam focos de queimadas, ficando atrás do Pará e do Mato Grosso. Também foi nesse período que Rondônia representou 15,1% das queimadas em toda Amazônia, ao registrar 15.844 focos.

A capital Porto Velho continua na primeira posição do ranking dos municípios da Amazônia que mais tiveram pontos de incêndio detectados. Foram 550 focos de queimadas entre 1º e 28 de outubro de 2020 na capital.

As cidades seguintes foram:

  • São Félix do Xungu (PA) – 468
  • Portel (PA) – 456
  • Pacajá (PA) – 340
  • Xapuri (AC) – 320
  • Brasiléia (AC) – 296
  • Altamira (PA) – 277

Já em Rondônia, os municípios que mais registraram focos de queimadas nos 28 dias de outubro são:

  • Porto Velho – 550
  • Nova Mamoré – 187
  • Cujubim – 178
  • Machadinho D’Oeste – 178
  • Pimenteiras do Oeste – 156
  • Candeias do Jamari – 104
  • Alta Floresta D’Oeste – 99

De acordo com o Inpe, as queimadas na Amazônia em 2020 já ultrapassaram o total registrado de janeiro a dezembro de 2019. Ao todo, segundo o Inpe, foram detectados pelos satélites 89.604 focos de calor até agora. No ano passado, foram detectados 89.176.

Forças Armadas na Amazônia

O vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia, afirmou nesta semana que o governo federal vai prorrogar até abril de 2021 a presença das Forças Armadas na Amazônia Legal.

O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, previa que a operação acabaria em julho deste ano, mas a Operação Verde Brasil foi prorrogada, e o prazo atual de vigência é até 6 de novembro.

O governo decidiu enviar militares para a região com o objetivo de fazer ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais. A operação é direcionada ao combate ao desmatamento ilegal e a focos de incêndio.

Entenda a coleta dos dados

O Inpe realiza medições desde 1986, após ter realizado um experimento de campo em conjunto com pesquisadores da Nasa. O sistema, porém, foi aperfeiçoado em 1998 após a criação de um programa no Ibama para controlar as queimadas no país. Os dados da série histórica estão disponíveis desde junho de 1998.

Um foco precisa ter pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura para que os chamados satélites de órbita possam detectá-lo. No caso dos satélites geoestacionários, a frente de fogo precisa ter o dobro de tamanho para ser localizada.

Os focos de calor, a grosso modo, representam qualquer temperatura registrada acima de 47ºC, mas não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio. Na verdade, um foco indica a existência de chamas em um píxel de imagem. Neste píxel pode haver uma ou várias queimadas distintas.

Se uma queimada for muito extensa, será detectada também com píxels vizinhos àquele. Ou seja, vários focos estarão associados a uma só queimada. Neste contexto, o número produzido é um indicador, e não uma medida absoluta.

Ciclo do desmatamento

As queimadas na Amazônia têm relação direta com o desmatamento. O fogo é parte da estratégia de “limpeza” do solo que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio. É o chamado “ciclo de desmatamento da Amazônia”.

Após o fogo, o pasto costuma ser o primeiro passo na consolidação da tomada da terra. Nos casos em que a ocupação não é contestada e a terra é de qualidade, o próximo passo é a exploração pela agricultura.

O que provoca as queimadas?

Para haver fogo, é preciso combinar: fontes de ignição (naturais, como raios, ou antrópicas, como isqueiros ou cigarros); material combustível (ter o que queimar, como madeiras e folhas); e condições climáticas (seca).

Como a Amazônia é uma floresta tropical úmida, os incêndios mais recorrentes ocorrem quando a madeira desmatada fica “secando” por alguns meses e, depois, é incendiada para abrir espaço para pastagem ou agricultura. Segundo especialistas, um incêndio natural não se alastraria com facilidade na Amazônia.

As queimadas são apenas uma das etapas do ciclo de uso da terra na Amazônia. Depois do desmate, se nada de novo acontecer, a floresta pode se regenerar. Uma floresta secundária, no entanto, nunca será como uma original, mesmo que uma parte da biodiversidade consiga se restabelecer. Na prática, o que acontece é que a mata não tem tempo de crescer de novo.

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