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Bancões viram porto seguro no setor após eleição; Itaú e Bradesco ganham preferência

O cenário de maior aversão a risco após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem levado analistas a recomendar uma postura mais defensiva no setor financeiro brasileiro. Relatórios divulgados por JPMorgan e Morgan Stanley nesta segunda-feira (26) indicam preferência por bancos tradicionais e instituições com receitas mais diversificadas, enquanto nomes mais sensíveis à atividade econômica e aos juros tendem a enfrentar maior pressão no curto prazo.

A avaliação comum entre os bancos é de que a continuidade do atual governo pode resultar em juros elevados por mais tempo, crescimento econômico mais fraco e ambiente menos favorável para o mercado de capitais, fatores que afetam diretamente a rentabilidade de parte do setor financeiro.

No caso do JPMorgan, a recomendação é evitar compras precipitadas mesmo após o forte tombo das ações. Segundo o banco, a correção nos preços já levou diversas instituições financeiras para níveis de valuation próximos das mínimas observadas ao longo de 2026, mas ainda existe risco de cortes nas projeções de lucro para 2027 diante de um cenário macroeconômico mais desafiador.

O banco destaca que o movimento de venda foi particularmente intenso em corretoras e empresas ligadas ao mercado de capitais. No pré-mercado dos EUA, as ações da XP chegaram a recuar cerca de 45%, enquanto outras companhias do setor registravam perdas entre 25% e 35%.

Itaú aparece como principal escolha

Em meio às incertezas, tanto JPMorgan quanto Morgan Stanley apontam o Itaú Unibanco (ITUB4) como um dos nomes mais bem posicionados para atravessar um ambiente de juros altos e crescimento mais lento.

Para o JPMorgan, o banco combina qualidade de balanço, liquidez e menor risco de revisões negativas de lucro em comparação com concorrentes. Já o Morgan Stanley classifica o Itaú como a franquia de maior qualidade entre os grandes bancos brasileiros, destacando sua disciplina na concessão de crédito, base de depósitos robusta e capacidade de manter elevada rentabilidade mesmo em cenários mais adversos.

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O Morgan Stanley também vê espaço para desempenho relativamente melhor de Bradesco (BBDC4) e BTG Pactual (BPAC11). O banco argumenta que o Bradesco segue avançando em seu processo de recuperação operacional, com melhora da eficiência, da composição da carteira de crédito e da rentabilidade.

No caso do BTG, a diversificação de receitas entre banco de investimento, gestão de recursos, gestão de fortunas e operações bancárias tradicionais é vista como uma proteção importante contra um ambiente econômico mais volátil.

O JPMorgan também considera o BTG uma alternativa bem posicionada para enfrentar o novo cenário, embora avalie que os múltiplos mais elevados da instituição possam exigir ajustes adicionais nas expectativas do mercado.

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Por outro lado, os relatórios indicam cautela com companhias mais dependentes da retomada do mercado de capitais ou de um ciclo de queda dos juros. O Morgan Stanley aponta XP (XP), Nubank (ROXO34) e B3 (B3SA3) podendo sofrer com a revisão das expectativas para a política monetária e para a atividade econômica.

Segundo o banco, juros elevados por mais tempo tendem a reduzir a demanda por crédito, enfraquecer a atividade nos mercados de capitais e limitar o apetite dos investidores por ativos de risco. Nesse contexto, corretoras, fintechs e plataformas de investimento aparecem entre as empresas mais sensíveis ao novo cenário.

Ainda assim, o Morgan Stanley ressalta que não alterou suas recomendações para XP, Nubank e B3, argumentando que a forte correção das ações pode melhorar a relação entre risco e retorno adiante.

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Os dois bancos destacam que uma eventual mudança de postura do governo em direção a uma agenda fiscal mais rigorosa poderia aliviar parte das preocupações atuais. Assim, até que haja sinais mais claros nessa direção, porém, a orientação predominante é privilegiar instituições com lucros mais resilientes, balanços robustos e modelos de negócios diversificados.

Fonte: infomoney

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