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Caminhoneiros relatam sobre longas filas e dias de espera para atravessar ponte que liga o Paraná ao Paraguai

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Caminhoneiros brasileiros têm relatado que estão enfrentando longas filas no trânsito e levando quase uma semana para conseguir atravessar a Ponte Internacional da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, a Cidade do Leste, no Paraguai.

De acordo com especialistas, os motivos das dificuldades que os profissionais têm vivido são o aumento das importação e exportação de grãos, o aumento no tráfego de veículos após reabertura de ponte e a falta de comunicação entre os órgãos fiscalizadores dos dois países.

Motorista há mais de 20 anos, Gabino Paredes disse que espera há dias no porto seco, em Foz do Iguaçu, para ser liberado com a carga.

“Demora muito de lá para cá, o problema é que o pátio da Receita Federal é pequeno, por isso, demora muito para atravessar a fronteira. A gente fica quase uma semana para atravessar de lá para cá”, contou.

Para o diretor de comércio e exterior da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (ACIFI ), Mário Camargo, faltam conversas entre os órgãos responsáveis pela fiscalização de cargas para alinhar os horários de passagem dos caminhões.

“A partir da reabertura da ponte, se estabeleceu um novo horário para a passagem de caminhões e está faltando a adequação de alguns procedimentos. Nós temos, por exemplo, o scanner funcionando dentro do porto seco até às 2h, sendo que a passagem vai até 5h.”

Importações e exportações

Segundo o diretor do terminal de cargas de Cidade do Leste, Carlos Rendano, nunca se exportou tantos grãos do Paraguai para o Brasil como em 2020.

“Neste ano, tivemos um aumento de 400%. No total, em toda fronteira, o volume de saída de soja passou de 125 mil toneladas para 600 mil toneladas, até 30 de setembro, e esse número segue subindo. A visão é de que no ano que vem seja igual”, disse.

Cidade do Leste conta com dois pátios próximos da fronteira. Segundo a administração de um deles, o local tem atendido em sua capacidade máxima, com cerca de 500 caminhões por dia, que aguardam pela liberação para seguir viagem.

Segundo a ACIFI, o Brasil compra milho e soja do Paraguai para alimentar o gado e, depois, exportar a carne. Com o baixo nível dos rios, usados para o transporte de grãos, as vendas para o Brasil ficaram mais atrativas.

“Com o aumento do dólar, as nossas exportações também aumentaram muito, principalmente, de proteína animal. Quando você fala no aumento de proteína animal, você precisa de proteína vegetal para a alimentação desses animais. Com a baixa do Rio Paraná, dificultou a navegação para o Paraguai, isso deixou mais fácil e economicamente mais barato vender o produto para o Brasil, do que vender as exportações. Por isso, temos esse aumento de demanda considerável”, explicou Mário Camargo.

Mesmo com a pandemia, de janeiro até setembro de 2020, mais de R$ 17 bilhões em importações e exportações passaram pelo porto seco de Foz do Iguaçu. Os números são semelhantes registrados no mesmo período de 2019.

Fonte: G1

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