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Carro avança contra indígena em bloqueio de via em Santarém (PA); veja vídeo – 06/02/2026 – Ambiente

Um indígena quase foi atropelado, na noite desta quinta-feira (5), quando um carro conversível tentou avançar um bloqueio na BR-163, em Santarém (PA), em frente a sede da Cargill, empresa do ramo do agronegócio. A ação foi filmada por outros manifestantes.

O grupo ocupa por 15 dias a entrada da empresa, contra o decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND) e abre caminho para concessões e para a privatização da “manutenção da navegabilidade”, incluindo dragagens.

Segundo os manifestantes, o motorista do carro seria um vereador da cidade. A reportagem tenta contato com o parlamentar.

Uma testemunha disse à Folha que o vereador chegou ao local do protesto filmando e invadindo o espaço com o carro e que algumas pessoas foram tentar impedi-lo de acessar o local.

Ainda de acordo com ela, neste momento, o parlamentar teria avançado com o veículo para cima de um manifestante.

O Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), entidade representante de 14 povos do Baixo Tapajós, emitiu uma nota de repúdio contra a ação e afirma que o local de protesto que reúne crianças e idosos.

“O movimento indígena repudia a tentativa de intimidação e reafirma que a mobilização é legítima e pacífica, em defesa do rio Tapajós, dos territórios e do direito à Consulta Livre, Prévia, Informada e de Boa-Fé”, diz trecho da nota.

A principal demanda dos indígenas é a revogação do decreto, que também abrange os rios Madeira (RO) e Tocantins (TO).

Na quarta (4), os manifestantes bloquearam a avenida Fernando Guilhon, que dá acesso ao aeroporto de Santarém, após uma reunião sem acordo com representante do governo federal. Eles liberaram a via na noite do mesmo dia.

Nesta quinta, os manifestantes voltaram a se reunir com o governo Lula. O dia de diálogo também terminou em o fim do ato. Outra reunião marcada para esta sexta (6) pretende por fim ao protesto que dura mais de duas semanas.

O projeto de hidrovias já foi alvo de protestos na COP30, conferência do clima das Nações Unidas realizada em novembro em Belém. Na ocasião, as ministras Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e a Marina Silva, de Meio Ambiente, afirmaram que a consulta prévia com as comunidades seria feita. Contudo, a promessa não foi cumprida.

O Ministério dos Povos Indígenas disse, em nota, que “reconhece a legitimidade das preocupações apresentadas e reafirma que nenhuma iniciativa relacionada à dragagem, manutenção hidroviária ou qualquer outro empreendimento no rio Tapajós pode avançar sem o consentimento livre, prévio, informado e de boa-fé dos povos diretamente, conforme a convenção nº 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho] e a Constituição Federal.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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