Será que os consumidores americanos vão aguentar o tranco que Donald Trump está provocando em seus bolsos? As tarifas elevadas que o presidente dos Estados Unidos vem impondo aos parceiros comerciais vão significar preços mais elevados dos alimentos no mercado interno. É o que já mostram os dados de inflação do país.
Considerando apenas as importações da América do Norte (México e Canadá), da União Europeia e do Brasil, países que receberam salgadas tarifas, os gastos dos Estados Unidos com as compras de alimentos e de produtos relacionados à agropecuária somaram US$ 91 bilhões nos oito primeiros meses deste ano fiscal, iniciado em outubro de 2024.
Incluindo todos os países, os gastos dos americanos com importações desses produtos, de outubro do ano passado a maio deste, já somam US$ 152 bilhões, com aumento de 11% em relação a igual período anterior.
E essa conta de importações de produtos relacionados ao agronegócio vai subir ainda mais, podendo chegar a US$ 220 bilhões até setembro, quando o país fecha o ano fiscal. No período anterior, as importações haviam somado US$ 206 bilhões.
Se a projeções do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) se confirmarem, os americanos vão terminar o ano fiscal de 2025, com um déficit de US$ 49,5 bilhões na balança comercial do setor. Quanto mais o governo eleva as tarifas para os países parceiros, maiores serão os gastos com importações.
Neste ano, o Brasil subiu no ranking dos fornecedores de produtos do setor do agronegócio para os Estados Unidos, ocupando o terceiro lugar, atrás de México e Canadá. O Brasil desbanca a Itália, que vinha ocupando esse posto.
Conforme os números mais recentes do U.S Census Bureau Trade Data, os Estados Unidos importaram US$ 32,8 bilhões do México nos oito primeiros meses do ano fiscal. As compras do Canadá atingiram US$ 26,8 bilhões, e as do Brasil, o terceiro principal fornecedor, US$ 6,8 bilhões.
Enquanto as importações americanas de produtos agropecuários do México e do Canadá tiveram pequena redução neste ano fiscal, as feitas no Brasil cresceram 41,4%, segundo o U.S Census e o Usda.
Um dos motivos da alta, segundo os dados do governo americano, é a carne bovina. As importações dessa proteína do Brasil elevaram os gastos dos EUA para US$ 981 milhões nos cinco primeiros meses deste ano, acima dos US$ 478 milhões de igual período de 2024.
PIB agrícola O crescimento do setor deverá atingir 5% neste ano e 2% em 2026. Essa taxa supera a do PIB nacional médio, que será de 2,3% em 2025 e de 2% em 2026.
PIB agrícola 2 As estimativas são da MacroSector, que atribui essa evolução a uma melhora nas perspectivas da economia mundial. As receitas das lavouras deste ano deverão subir para R$ 1,04 trilhão, acima dos R$ 947 bilhões do ano anterior, segundo a consultoria.
Preços O café arábica, que caiu 21,5% em junho no campo, está com queda de apenas 2,7% neste mês, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
Preços 2 Já o arroz reverteu a tendência de queda do mês passado, quando o cereal apresentou retração de 6% nos preços. Na primeira quinzena deste mês, acumula alta de 2,6%, aponta o Cepea .
Inovação Os nematoides, que atacam diversas lavouras e abrem caminho para elevados prejuízos no campo, podem reduzir a produtividade em até 20%, segundo a Syngenta.
Inovação 2 A empresa está colocando no mercado brasileiro uma molécula que combina nematicida e fungicida para tratamento de sementes e aplicação no solo. Segundo a Syngenta, o registro e o lançamento desta molécula no Brasil permitem a aplicação do produto em mais de 60 culturas.
Folha Mercado
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Fonte: Folha de S. Paulo