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Economia

Desemprego no Brasil atinge recorde de 14,4% no trimestre encerrado em agosto, diz IBGE

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Número de desempregados no país aumenta 1,1 milhão em 3 meses e chega a 13,8 milhões. Em 1 ano, Brasil perde 12 milhões de postos de trabalho e vê população ocupada encolher para o menor contingente já registrado pela pesquisa, iniciada em 2012.

Desemprego em agosto/2020 — Foto: Economia G1

O número de desempregados atingiu 13,8 milhões, aumento de 8,5% frente ao trimestre anterior. São cerca de 1,1 milhão de pessoas a mais à procura de emprego frente ao trimestre encerrado em maio. Já na comparação anual, subiu “, destacou o IBGE. No mesmo trimestre de 2019, o país tinha 12,6 milhões de desempregados.

Na semana passada, o IBGE mostrou que o desemprego diante da pandemia do novo coronavírus bateu recorde em setembro, chegando a uma taxa de 14%, mas trata-se de uma pesquisa com uma outra metodologia e que não é comparável aos dados da Pnad Contínua, que é usada como indicador oficial do desemprego no país

“Esse aumento da taxa está relacionado ao crescimento do número de pessoas que estavam procurando trabalho. No meio do ano, havia um isolamento maior, com maiores restrições no comércio, e muitas pessoas tinham parado de procurar trabalho por causa desse contexto. Agora, a gente percebe um maior movimento no mercado de trabalho em relação ao trimestre móvel encerrado em maio”, afirma a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

Além do desemprego recorde, a pesquisa do IBGE mostra que:

  • O país atingiu o menor número histórico de trabalhadores ocupados
  • O nível de ocupação no mercado de trabalho atingiu o menor patamar histórico
  • Das 4,3 milhões de vagas perdidas em três meses, metade era de carteira assinada
  • Segmentos de comércio, alojamento e alimentação foram os que mais perderam vagas
  • O número de trabalhadores informais é o menor de toda a série histórica da pesquisa
  • Contingente de trabalhadores domésticos (4,6 milhões de pessoas) também é o menor da série

População ocupada cai para nova mínima histórica

A população ocupada no Brasil encolheu 5% em 3 meses, recuando para 81,7 milhões, nova mínima histórica da série. O número representa uma redução de 4,3 milhões pessoas em relação ao trimestre encerrado. Já em 12 meses, o país perdeu 12 milhões de postos de trabalho, considerando todas as formas de atuação no mercado de trabalho.

O nível de ocupação (46,8%) também o mais baixo da série histórica, com queda de 2,7 pontos percentuais ante o trimestre anterior (49,5%), quando, pela primeira vez na história da pesquisa, o índice ficou abaixo de 50%. Ou seja, a fatia de brasileiros que não está trabalhando ficou ainda maior no país.

Os dados do IBGE mostram que a maior das pessoas que perderam emprego foi parar na inatividade. A força de trabalho — que soma pessoas ocupadas ou em busca de empregos com 14 anos ou mais de idade — ficou em 95,5 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto, queda de 3,2% (menos 3,2 milhões) frente ao trimestre anterior e 10,1% (menos 10,7 milhões de pessoas) em relação ao mesmo trimestre de 2019.

“O cenário que temos agora é da queda da ocupação em paralelo com o aumento da desocupação. As pessoas continuam sendo dispensadas, mas essa perda da ocupação está sendo acompanhada por uma maior pressão no mercado”, afirma a pesquisadora.

Já a população fora da força de trabalho (79,1 milhões de pessoas) foi recorde da série, com altas de 5,6% (mais 4,2 milhões de pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 21,9% (mais 14,2 milhões de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2019.

Desalento também é recorde

Apesar do maior número pessoas que passaram a buscar um trabalho, a população desalentada (que desistiu de procurar emprego) somou 5,9 milhões e também renovou recorde, com alta de 8,1% (mais 440 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior e de 24,2% (mais 1,1 milhão de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2019.

O percentual de desalentados em relação à população na força de trabalho ou desalentada (5,8%) também foi recorde, chegando a 5,8%, contra 5,2% no trimestre anterior e 4,3% 1 ano atrás.

Só agropecuária amplia número de postos no trimestre

Variação trimestral de vagas, por setor — Foto: Economia/G1

Variação trimestral de vagas, por setor — Foto: Economia/G1

Dos 10 grupos de atividade analisados, apenas que reúne agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura teve aumento na população ocupada. A alta foi 2,9% no trimestre, o que representa 228 mil pessoas a mais trabalhando no setor

No mesmo período, a população ocupada da indústria caiu 3,9%, perdendo 427 mil trabalhadores, enquanto comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas teve retração de 4,7%, ou menos 754 mil pessoas. Já na Construção, o cenário foi de estabilidade.

Perda de postos entre formais e informais

A queda do número de brasileiros ocupados atinge todas as formas de inserção no mercado de trabalho, mas os números do IBGE mostram que o trabalhador informal foi o mais impactado pela pandemia.

País perdeu 12 milhões de postos de trabalho em um ano, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1

País perdeu 12 milhões de postos de trabalho em um ano, segundo o IBGE — Foto: Economia/G1

A categoria dos empregados no setor privado com carteira de trabalho no setor privado foi estimada em 29,1 milhões de pessoas, menor nível da série histórica, o que representa uma queda de 6,5% (menos 2 milhões) na comparação com o trimestre encerrado em maio e de 12% (menos 4 milhões de pessoas) ante o mesmo trimestre de 2019.

Já o número de empregados sem carteira assinada (8,8 milhões de pessoas) caiu 5% (menos 463 mil pessoas) em relação ao trimestre móvel anterior, mas saltou 25,8% (menos 3 milhões) em 12 meses.

O número de trabalhadores por conta própria somou 21,5 milhões de pessoas, o que representa uma queda de 4% (menos 894 mil) frente ao trimestre anterior e um avanço de 11,4% (menos 2,8 milhões) ante o mesmo período de 2019.

taxa de informalidade no trimestre encerrado em agosto foi de 38%, ante 37,6% no trimestre anterior, o que equivale a 31 milhões de trabalhadores que trabalham por conta própria ou que não têm carteira assinada.

Queda da renda do trabalho

O rendimento médio real habitual ficou em R$ 2.542 no trimestre terminado em agosto, alta de 3,1% frente ao trimestre anterior e de 8,1% em relação ao mesmo trimestre de 2019, influenciada principalmente pela maior redução do contingente de trabalhadores informais no país.

Já a massa de rendimento real do trabalho teve redução de 2,2% (menos R$ 4,6 bilhões) em 3 meses e de 5,7% (menos R$ 12,3 bilhões) na comparação anual.

Perspectivas

Integrantes do governo têm afirmado que a pior parte da crise provocada pela pandemia da Covid-19 ficou para trás e que a economia tem dado sinais de recuperação. O mercado de trabalho, no entanto, deve continuar pressionado, e analistas avaliam que a taxa de desemprego deve continuar em trajetória de alta considerando o fim dos programas de auxílio emergencial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a taxa de desemprego no país feche o ano em 13,4%, e suba ainda mais em 2021, para 14,1%.

Na véspera, o Ministério da Economia divulgou que a economia brasileira criou 313.564 empregos com carteira assinada em setembro. No acumulado nos 9 primeiros meses do ano, no entanto, foram fechados 558.597 postos formais no país.

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