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Para ‘não brigar com filhos e netos’ todos os dias, idosa constrói muro e se isola durante a pandemia em MS

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Há 20 anos, a costureira Luzia Rodrigues, de 69 anos, iniciou a construção de uma vila de casas, na rua, Santa Izabel, bairro Santa Luzia, região norte Campo Grande. No terreno, cada filho ganhou “um quarto com banheiro”. Mas, o que era motivo de alegria em tê-los por perto, se tornou apreensão com a chegada da pandemia. E, como alguns não respeitavam as regras, ela mandou construir um muro e agora vive isolada, dentro do próprio imóvel.

“Eu mandei construir o muro há 2 meses, logo no início da pandemia. Eu decidi porque tenho quatro filhos e alguns deles não me obedeciam. Um deles dizia que até não acredita na doença. E eu, como assisto muito a televisão, pedia para eles não entrarem mais aqui em casa, ainda mais que sou do grupo de risco. E, para não brigar todos os dias com filhos e netos, esta foi a solução”, afirmou ao G1 a costureira.

Segundo D. Luzia, outra medida tomada por ela foi se desfazer de todas as vasilhas da casa e usar somente descartáveis. “Eu comprei tudo, até para a salada. Entrego a comida para eles aqui pelo muro mesmo. Estou isolada há 60 dias mesmo e corri com todas as visitas. A única pessoa que fica aqui comigo é a minha bisneta, de 4 anos. A minha neta tem outro bebê, mas, disse a ele que cuidaria só da mais velha e ela fica aqui comigo o tempo todo”, comentou.

Logo após fechar a varanda com o muro, a costureira diz que tirou as máquinas de costura de dentro da casa e passa o dia entre o ambiente externo e interno do imóvel. “Eu faço máscaras, fiz recentemente 200 litros de sabão e doei para uma comunidade indígena, em Dourados, e também para uma escola aqui em Campo Grande. Tenho outras costuras também e assim vou passando o tempo”, lamentou.

No entanto, a idosa fala que possui “muito medo”, somente em imaginar a estadia em um hospital. “Eu choro, tenho fobia daqueles respiradores. E, se eu pegar [o novo coronavírus] e retornar para casa, vou culpar todos eles por aqui. Porque eu mesmo não saio de casa. Só que eu tenho um filho que bebe e ele é o que eu mais brigo. Daqui a pouco vou proibir até de encostar no muro”, disse.

Conforme a costureira, muitas pessoas estão “sem consciência” e não refletem sobre a gravidade da doença. “Vai morrer muita gente ainda, principalmente por conta deste desrespeito e ficarem saindo à toa, sem necessidade. Aqui eu sigo as regras direitinho, tenho o meu álcool gel, o meu sabão e ninguém entra, tem que ficar de máscara e longe mesmo”, argumentou.

Questionada, sobre o que pretende fazer “quando tudo isso passar”, a idosa ficou emocionada. “Eu sempre fui a cozinheira da família, fazíamos festas. Somos em 8 irmãs, sempre muito unidas. Eu também tenho 4 filhos, 7 netos e 2 bisnetos. Sinto falta dos aniversários em família, das festas lindas e de reunir uma vez com semana para almoçar com minha irmã. Ela está aqui no bairro vizinho, mas, só nos falamos por telefone. É muito triste”, comentou.

Uma das netas, a professora Luana Laline Rodrigues Delfino, de 27 anos, fala que também está isolada no quarto. “Eu fico aqui também, gravo as vídeo-aulas para os alunos e mantenho contato com a minha avó de longe. Ela sempre tá exigindo que a gente esteja de máscara. Ela está certa, tem que cuidar mesmo”, finalizou.

Fonte: G1

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