Antes do período eleitoral, a maior preocupação da Justiça era com o uso de inteligência artificial, principalmente na produção de deepfakes, técnica que cria ou modifica vídeos, fazendo parecer que uma pessoa real fez algo que nunca aconteceu.
Em meio à tensão do segundo turno, porém, esse tipo de conteúdo viralizou como memes de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
A startup brasileira Real Oficial desenvolveu a plataforma Real Xablau que cria conteúdo audiovisual de até 30 segundos com essa proposta.
Um vídeo publicado no X (antigo Twitter) por Antônio Guimarães, fundador e CTO da Real Oficial, em que a imagem de Lula é colocada no Enzo Fernandez comemorando gol pela Argentina na Copa do Mundo alcançou mais de nove milhões de visualizações na plataforma.
Essa mesma tecnologia foi usada no vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na semana passada que mostra o senador Flávio Bolsonaro em uma piscina enquanto atira para o alto com dois fuzis.
Diante do boom desse tipo de conteúdo, há uma forte concorrência entre as ferramentas. A Higgsfield se destaca como uma das maiores delas, mas, ainda assim, nem sempre é possível identificar em qual plataforma um conteúdo específico foi criado.
Em setembro, vieram a público casos de vídeos íntimos forjados com IA envolvendo figuras públicas, como o caso dos ex-BBB Juliano Floss e Jonas Sulzbach.
Segundo Guimarães, ao menos na Xablau, a pornografia é proibida. Para impedir que esse tipo de conteúdo seja produzido, um robô analisa os vídeos gerados o tempo todo. “O próprio robô identifica ‘muita pele’ no vídeo e automaticamente bloqueia. Quando o robô pega uso proibido, a conta é bloqueada na hora e o dinheiro volta pro usuário automaticamente”, diz.
O criador da Real Xablau conta que há outras regras para o uso da ferramenta, como a proibição de utilizar imagens de pessoas reais sem autorização, retratação de menores de idade ou produção de conteúdo com a intenção de enganar. Caso se constatem vídeos que violem essas diretrizes, eles podem ser removidos e as contas responsáveis, suspensas.
Além disso, quem se sentir prejudicado por um vídeo pode acionar a plataforma, porque é possível reconhecer usuários a partir de dados associados à criação.
Guimarães afirma ser importante uma empresa brasileira neste ramo, pois, segundo ele, os brasileiros estão entre os que mais consomem e criam vídeos curtos no mundo, mas utilizam majoritariamente ferramentas estrangeiras. “Elas não entendem nosso humor, nossa cultura, o que viraliza aqui, quais são nossas referências.”
Roberta Luchsinger
Big Lula Brasil
André Janones
A Fazenda
Exército do Lula