Eleições 2026: O que pesa contra Lula - 27/08/2026 - Política

O presidente Lula (PT) tenta a reeleição em 2026 com um histórico de desgastes acumulados ao longo do terceiro mandato e que alimentam a ofensiva de opositores.

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As vulnerabilidades do petista incluem o endividamento recorde das famílias brasileiras, a fila do INSS que ele havia prometido zerar e a investigação da Polícia Federal que envolve o nome de seu filho Lulinha.

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Veja abaixo pontos que pesam contra Lula nas eleições de 2026:

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Endividamento das famílias

O endividamento das famílias brasileiras bateu recorde no governo Lula 3.

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Desde outubro de 2025, os brasileiros comprometem 29% de sua renda para quitar dívidas financeiras, o maior percentual em pelo menos 20 anos, segundo o Banco Central. A inadimplência dos consumidores atingiu 6,9%, o patamar mais alto desde 2012, puxada sobretudo pelo rotativo do cartão de crédito.

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Pesquisa Datafolha mostrou que 2 em cada 3 brasileiros dizem ter dívidas e que 45% vivem em situação financeira apertada ou severa. Entre os mais pobres, a inadimplência é ainda maior: quem ganha até três salários mínimos registra calote superior a 7,5%.

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O governo lançou em maio nova versão do Desenrola, programa de renegociação de dívidas, para tentar reduzir a inadimplência e melhorar a popularidade em ano eleitoral.

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Pesquisa do Datafolha em julho mostrou que a economia é vista como o principal problema do país por 14% dos brasileiros. A saúde está no topo da lista, com 21% das menções, seguida por violência, com 17%.

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Evangélicos e mulheres

Lula segue distante de contornar a resistência de evangélicos.

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Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, em uma simulação de segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), o presidente venceria por 47% a 43%. Porém, levando em conta apenas o segmento evangélico, o placar vai a 62% a 29% a favor do candidato do PL.

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No segmento feminino, Lula costuma ver vantagem sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Porém pesa contra o presidente seu histórico de declarações consideradas machistas. Em abril de 2025, ele chamou a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, de "mulherzinha". Meses antes, disse ter nomeado uma "mulher bonita" no ministério para "melhorar a relação" com o Congresso.

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O cenário é agravado pelo recorde de feminicídios no país registrado em 2025: ao menos 1.470 mulheres foram assassinadas em contexto de violência doméstica ou por razões de gênero —média de quatro por dia, o maior número desde a tipificação do crime, em 2015.

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A composição dos ministérios de Lula também não ajuda o discurso: com as saídas eleitorais, o número de mulheres nas pastas caiu de 10 para 8, em um total de 38 integrantes.

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Em entrevista à Folha e ao UOL em julho, a primeira-dama Janja culpou partidos aliados por essa circunstância. "Se você vai fazer um acordo de um partido que está na coalizão, muitas vezes, eles não indicam mulheres. É lamentável", disse ela.

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Fila do INSS

A promessa de Lula em 2022 de reduzir a fila de pedidos no INSS tornou-se um problema eleitoral. No início deste ano, o estoque de solicitações bateu a marca inédita de 3,1 milhões.

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Em abril, o governo demitiu o presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior, substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, com a missão declarada de acelerar a análise de benefícios e reduzir o tempo de espera. Nos bastidores, a relação conflituosa entre Waller Júnior e o Ministério da Previdência era apontada como entrave à melhora na gestão.

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Nesta semana, o INSS divulgou que a fila estava em 1,28 milhão de requerimentos. Flávio Bolsonaro incluiu em seu programa de governo um projeto sobre o tema, chamado "Brasil Sem Fila".

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Lulinha e Marcola

O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, apareceu nas investigações da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.

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Lulinha não foi indiciado, mas teve os sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do STF a pedido da própria PF. Desde julho, o STF autorizou a abertura de três inquéritos relacionados ao filho do presidente. Entre as suspeitas, está tráfico de influência no governo federal, em órgãos como o Ministério da Saúde e a Dataprev.

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A defesa de Lulinha nega qualquer participação nas fraudes e diz aguardar eventuais desdobramentos "com absoluta tranquilidade". Sobre o assunto, Lula afirmou que, caso seu filho esteja envolvido no escândalo, ele será investigado.

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Além desse caso, Lula também se desgastou, neste mês, com a revelação de que seu ex-chefe de gabinete recebeu recursos da empresária Roberta Luchsinger, que é amiga de Lulinha e tem relação com o lobista conhecido como Careca do INSS. Auxiliar de Lula por anos, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, deixou a equipe de campanha do PT após o caso vir à tona. Ele diz que o repasse se tratava de um empréstimo pessoal, quitado, de R$ 249 mil e que não há irregularidade.

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Em eleições anteriores, Lula já sofreu desgastes de outros escândalos de corrupção, como o mensalão e o petrolão, que costumam ser rememorados por adversários.

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O presidente ficou preso por 580 dias entre 2018 e 2019 em decorrência de condenação por corrupção e lavagem de dinheiro em processo da Operação Lava Jato. Posteriormente, o Supremo considerou que houve nulidades no caso, incluindo a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, e invalidou duas sentenças expedidas em Curitiba.

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Idade e saúde

Lula completará 81 anos na semana da eleição, e a questão do vigor físico já entrou abertamente no debate eleitoral, destacada inclusive por veículos internacionais.

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A revista britânica The Economist afirmou no fim de dezembro que Lula não deveria concorrer por causa de sua "idade avançada". Já o jornal The Guardian, também britânico, publicou reportagem sobre a estratégia do presidente e de aliados de divulgar vídeos dele fazendo exercícios (agachamentos, corridas, aparelhos de academia) como demonstração de disposição para um novo mandato.

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O principal adversário, Flávio Bolsonaro, tem 45 anos —a mesma idade de Lula quando ele concorreu pela primeira vez à Presidência, em 1989. O senador já explorou a diferença: "Lula é como Opala, 'velhão', já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum", disse.

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"Para ser candidato, preciso estar 100% de saúde", afirmou Lula no ano passado.

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Nas 10 eleições presidenciais disputadas no período da redemocratização, Lula foi o candidato do PT em 8. Em 2018, ele lançou candidatura mesmo estando preso, mas desistiu depois de ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

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Baixa popularidade

Ao longo deste mandato, Lula nunca conseguiu repetir os níveis de popularidade que ostentava quando deixou a Presidência, em 2010.

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A fatia de eleitores que consideram seu governo ruim ou péssimo supera a parcela dos que classificam a gestão como ótima ou boa desde o fim de 2024.

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Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, a avaliação negativa está em 41%, ante 33% da positiva. Consideram a gestão regular 25% dos entrevistados.

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Outro quesito, a taxa de aprovação, mostra uma divisão arraigada do eleitorado: 50% dizem reprovar a gestão, ante 47% afirmam aprová-la. A pesquisa ouviu 2.058 pessoas, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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