René Redzepi deixa o Noma em meio a denúncias de abusos - 12/03/2026 - Comida

O chef René Redzepi renunciou nesta quarta-feira (11) ao Noma, restaurante que fundou em 2003 e levou ao reconhecimento internacional.

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A decisão veio após reportagens recentes no The New York Times e relatos nas redes sociais sobre abusos cometidos por ele contra funcionários do Noma. As alegações ofuscaram a estreia do pop-up de 16 semanas do Noma em Los Angeles, onde manifestantes se reuniram nesta quarta, agitando cartazes e entoando palavras de ordem.

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Em um comunicado no Instagram, ele escreveu:

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"As últimas semanas trouxeram atenção e conversas importantes sobre nosso restaurante, a indústria e minha liderança no passado. Tenho trabalhado para ser um líder melhor, e o Noma deu grandes passos para transformar a cultura ao longo de muitos anos. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações. Após mais de duas décadas construindo e liderando este restaurante, decidi me afastar e permitir que nossos líderes extraordinários guiem o restaurante em seu próximo capítulo. Também renunciei ao conselho do MAD, a organização sem fins lucrativos que fundei em 2011."

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Redzepi também publicou um vídeo emocionado pedindo desculpas à sua equipe.

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A decisão veio dias após o Times publicar uma reportagem baseada em entrevistas com 35 ex-funcionários que disseram que Redzepi havia cometido abusos no ambiente de trabalho de 2009 a 2017, quando o restaurante em Copenhague, na Dinamarca, construía sua reputação por pratos inovadores e artisticamente elaborados, compostos por ingredientes colhidos na paisagem escandinava.

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Nas semanas anteriores, Jason Ignacio White, ex-funcionário do Noma, reuniu alegações de abuso no ambiente de trabalho enviadas a ele por vários outros ex-colegas do Noma e publicou-as no Instagram. As postagens foram visualizadas mais de 17 milhões de vezes.

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Entre 2009 e 2017, os funcionários disseram ao Times, o chef socou membros da equipe, os golpeou com utensílios de cozinha e os empurrou contra paredes. Eles descreveram traumas duradouros causados por camadas de abuso psicológico, incluindo intimidação, humilhação corporal e ridicularização pública. Redzepi, segundo eles, ameaçou usar sua influência para colocá-los em listas negras de restaurantes ao redor do mundo, deportar suas famílias ou fazer com que suas mulheres fossem demitidas de seus empregos em outras empresas.

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Patrocinadores do pop-up, incluindo Cadillac, Resy American Express e a plataforma de fidelidade de restaurantes Blackbird, se afastaram do evento em Los Angeles nos últimos dias.

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Redzepi havia reconhecido anteriormente ser um agressor e ter abusado verbalmente de funcionários. Ele pediu desculpas pelo abuso físico no sábado (7), mas o comunicado não prometeu nenhuma ação específica que demonstrasse responsabilização perante as vítimas e o público.

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Quanto ao que a decisão desta quarta significa para o Noma, Redzepi escreveu na postagem de renúncia: "Para quem está se perguntando o que isso significa para o restaurante, deixe-me dizer claramente: a equipe do Noma hoje é a mais forte e inspiradora que já tivemos. Estamos abertos há 23 anos, e tenho muito orgulho de nossas pessoas, nossa criatividade e a direção que o Noma está tomando. Esta equipe seguirá em frente junta em nossa temporada em LA."

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Ele não nomeou um sucessor.

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Fonte: Folha de S. Paulo

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