Pela terceira partida seguida, os argentinos passaram sufoco, mas venceram. Neste sábado (11), o adversário era a Suíça, que disputava com os sul-americanos uma vaga na semifinal da Copa do Mundo.
Após o jogo, porém, a apreensão se transformou em festa no Obelisco, que virou o ponto de encontro em Buenos Aires das comemorações do torneio.
Mesmo com os termômetros marcando 9°C, milhares de pessoas vestindo as cores da bandeira argentina se reuniram no cartão-postal de Buenos Aires para celebrar mais uma vitória de virada no torneio.
A festa teve fogos de artifício, vendedores ambulantes e policiamento para organizar o trânsito da avenida 9 de Julho, uma das principais da cidade.
No início, o jogo ameaçou ser mais calmo para os argentinos. Torcedores reunidos em um bar de Recoleta, na capital, gritaram aliviados com um gol logo aos 10 minutos do primeiro tempo, que terminou 1 a 0.
Na última terça-feira (7), a essa altura da partida, o placar era o mesmo, mas com os argentinos em desvantagem em relação ao Egito. A agonia se estenderia até os 34 minutos do segundo tempo, quando a Argentina fez seu primeiro gol —a partida terminou 3 a 2 para os sul-americanos.
Neste sábado, o clima era tão descontraído na pausa entre o primeiro e o segundo tempo que os torcedores aproveitaram para cantar o clássico “Ji ji ji”, de Indio Solari. A morte do cantor, um dos mais importantes do rock argentino, há pouco mais de um mês, causou comoção no país.
A alegria durou até os 22 minutos do segundo tempo, quando o suíço Dan Ndoye conseguiu um gol após o time europeu intensificar o ataque. Apenas quatro minutos depois, Breel Embolo levou um cartão vermelho, deixando a Suíça com dez jogadores e a Argentina com as portas abertas para fazer mais dois gols —ambos na prorrogação.
“Precisamos ter fé. Nascemos para sofrer, mas acreditamos em nós mesmos”, afirmou a administradora Mailen Rodriguez, 26, após o jogo. “Não subestimamos nossos adversários, acho que essa é nossa maior força. Jogamos com o coração.”
Para o médico José Caporaso, 80, que jogou no Clube Atlético Platense na década de 1960, a equipe jogou mal.
“Faltaram mais finalizações. Além disso, os suíços tinham um ataque muito rápido, mais rápido que o nosso. Mas tivemos a sorte de contar com o goleiro, que fez defesas perfeitas”, afirmou sobre o camisa 23, Dibu Martínez.
“Na minha opinião, não podemos jogar contra a Inglaterra com esse mesmo time. Precisamos fazer mudanças importantes. Por exemplo, colocar o Cholito Simeone, que é alto e, além disso, muito veloz”, disse, em referência Giuliano Simeone, que tem esquentado o banco do time treinado por Lionel Scaloni.
Apesar das críticas, o ex-atleta está confiante para a próxima partida. “Como argentino, sempre tenho fé. O que eu espero é não sofrer tanto, porque já passei por três grandes sofrimentos. Um foi contra a Holanda [na Copa do Mundo de 2022], o outro foi o de hoje e o outro na partida anterior. Esses são os três jogos em que mais sofri na minha vida como torcedor”, disse.
Agora, a Argentina compete com a Inglaterra na próxima quarta (15) por uma vaga na final —um jogo que deve parar Buenos Aires, não apenas por valer uma vaga na final, mas pela rivalidade entre os dois países, que entraram em guerra pelas Ilhas Malvinas na década de 1980.
Os adversários históricos não se enfrentam na Copa do Mundo desde 2002, quando a Inglaterra venceu por 1 a 0 na fase de grupos. “Vai ser um jogão, e vamos jogar com toda a nossa alma”, disse Mailen.