Redação do Enem começando do zero: veja como fazer o seu texto
A redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma das partes mais importantes da prova e, por isso, causa muita ansiedade nos estudantes. A exigência de capacidades como interpretação, pensamento crítico e bagagem sobre o assunto pode fazer com que o candidato enfrente dificuldades na hora de elaborar a dissertação.
Há uma série de dicas que podem ajudar um aluno na hora de escrever uma boa redação no Enem. As provas neste ano acontecem nos dias 8 e 15 de novembro.
À CNN Brasil, Gabrielle Cavalin, gerente de redação do Poliedro Educação, afirma que conhecer o perfil da prova e o tipo de texto que é exigido é o primeiro grande passo antes de fazer a redação do Enem.
“Na redação do Enem, o estudante precisa produzir um texto dissertativo-argumentativo sobre um problema social brasileiro. Por isso, é importante entender o que é uma dissertação, como esse texto se estrutura e de que forma os textos motivadores devem ser lidos para identificar o problema apresentado e desenvolver uma discussão coerente sobre o tema”, aponta.
Leitura atenta
No dia da prova, é essencial que a leitura da proposta e da frase temática seja feita com atenção. Essa análise inicial é fundamental para entender qual problema social será o ponto de argumentação no texto.
É indicado refletir sobre quais consequências dão origem ao problema ou contribuem para que ele continue acontecendo, além dos impactos gerados por ele.
Argumentação escolhida
O estudante deve, então, identificar dois argumentos que deverão ser desenvolvidos na redação. Poderão ser trabalhadas duas causas, uma causa e uma consequência ou duas consequências.
“A escolha mais comum costuma ser a de duas causas, mas o mais importante é que os argumentos sejam diferentes e, ao mesmo tempo, complementares, para que cada parágrafo acrescente uma nova perspectiva à discussão, em vez de repetir aquilo que já foi apresentado anteriormente”, explica Gabrielle Cavalin.
Proposta de intervenção
A conclusão é uma parte importante da redação. No Enem, esse espaço é reservado para a proposta de intervenção, que é uma exigência da prova.
Nesse caso, a sugestão é fazer uma breve retomada da tese, recuperando o que foi defendido ao longo do texto. Em seguida, apresente a proposta de intervenção, que deve ser uma possível solução para o problema apresentado.
Para que essa proposta seja bem construída, é importante considerar os cinco elementos esperados:
- agente (quem vai fazer);
- ação (o que vai ser feito);
- meio (como vai ser feito);
- efeito (por que vai ser feito);
- e detalhamento de um desses elementos.
Como as dificuldades na escrita podem prejudicar um candidato no Enem?
Um aluno que possui problemas para elaborar um bom texto pode driblar essa questão com um bom repertório.
Segundo a orientadora Gabrielle Cavalin, dificuldades temáticas relacionadas à falta de conhecimento sobre assuntos, dificuldades para entender e organizar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo, ou dificuldades sintáticas e gramaticais precisam ser trabalhadas e superadas ao longo do processo educativo, inevitavelmente.
A gerente de educação dá sugestões de como se preparar bem para superar a dificuldade na hora de fazer a redação do Enem:
Se a dificuldade é temática, por exemplo, é importante ampliar o repertório por meio da leitura, da discussão de diferentes temas e do contato com livros, filmes, autores e outras produções culturais.
Se a dificuldade está na estrutura, o estudante precisa compreender o que é uma dissertação, como ela se organiza e quais são as exigências específicas da redação do Enem.
Já as dificuldades sintáticas e gramaticais podem ser trabalhadas tanto nas aulas de língua portuguesa quanto a partir das devolutivas das correções das próprias redações.
No caso do aluno que enxerga a redação como algo muito complexo, o importante é aprender estratégias para planejar e organizar o texto para que a escrita fique mais acessível.
“O que não podemos fazer é confundir essas estratégias com a utilização de modelos prontos”, declara a profissional.
“Durante algum tempo, tornou-se comum a divulgação de estruturas praticamente prontas de redação, que poderiam ser memorizadas e adaptadas ao tema apenas com a substituição de algumas palavras ou informações”, continua.
Gabrielle explica que esse pode parecer o caminho mais fácil para o aluno que tem defasagens, mas não consegue mascarar suas dificuldades.
“O mais importante é que o processo educativo realmente ensine esse estudante a escrever, oferecendo ferramentas para que ele compreenda suas dificuldades, consiga superá-las e desenvolva autonomia para produzir o próprio texto”, declara.
Quais erros impactam mais na nota final da redação?
É possível zerar a redação do Enem ao cometer alguns erros.
Reproduzir um texto que não corresponde ao tema proposto ou ao tipo textual exigido, ou inserção deliberada de partes desconectadas da discussão, levam à nota zero.
De acordo com Cavalin, um texto sem repertório pode ter pontuação limitada, assim como uma redação com muitos desvios gramaticais, com uma estrutura sintática muito simples ou com problemas recorrentes nas produções dos períodos.
Não apresentar uma proposta de intervenção também pode ter um forte impacto na nota final no Enem.
Alguns cuidados são essenciais, como se certificar de que há clareza sobre o recorte temático e garantir que as palavras-chave apareçam de forma coesa no texto. Articular e usar o repertório da forma correta também contribui para um bom resultado no exame.
“Mais do que simplesmente cumprir uma estrutura, o estudante precisa demonstrar, ao longo de toda a redação, que compreendeu o tema e sabe desenvolver uma argumentação consistente sobre ele”, explica Gabriella.
Como administrar o tempo entre as objetivas e a redação?
Alguns cursos preparatórios, como o Poliedro, orientam o estudante a dedicar entre uma hora e uma hora e meia para a redação. Se o candidato fizer o texto em menos de uma hora, não terá tempo suficiente para ler os textos motivadores de forma adequada.
Ultrapassar uma hora e meia, por sua vez, pode comprometer a resolução das questões objetivas, que são importantíssimas para a nota final do exame.
“Por isso, é fundamental que o estudante chegue ao dia da prova com uma estratégia que já tenha sido praticada anteriormente”, explica a orientadora Gabriella.
“Ele precisa saber, por exemplo, se funciona melhor fazer a redação logo no início, no meio da prova ou deixá-la para o final. Também pode decidir se prefere realizar todo o processo de uma só vez ou dividi-lo em blocos, fazendo primeiro a leitura dos textos motivadores e o planejamento, seguindo para algumas questões objetivas e retomando depois a redação para escrever ou passar o texto a limpo”, segue a profissional.
Ela ainda sugere que o candidato entenda seu próprio ritmo e treine muito como vai distribuir o tempo. “O dia do Enem não deve ser o momento de descobrir como organizar a prova”, conclui.
Fonte: CNN EDUCAÇÃO