O boato de que Flávio Bolsonaro (PL), se eleito presidente, poderia tentar tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil mobilizou as campanhas às vésperas do primeiro turno e abriu uma nova frente de disputa no Judiciário.
Flávio Bolsonaro acusou um perfil nas redes sociais de disparar fake news e a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) de ter ajudado a disseminá-la; a organização afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira”. Nesta segunda (28), ante o desgaste, ele segurou uma imagem de Nossa Senhora e fez acenos à CNBB.
Na Justiça, André Mendonça e Flávio Dino —no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e no STF (Supremo Tribunal Federal), respectivamente— deram decisões conflitantes sobre posts ligados ao caso. A campanha bolsonarista acionou ainda um terceiro ministro, Luiz Fux, e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reclamou com o presidente do STF, Edson Fachin, de interferências indevidas na corte eleitoral.
O Café da Manhã desta terça (29) discute como o país viu surgir um caso Nossa Senhora Aparecida em meio à corrida eleitoral e como ele foi parar no centro de mais uma briga no Judiciário brasileiro. O professor de antropologia da UFRJ Rodrigo Toniol, colunista da Folha, trata dos usos políticos de temas religiosos, e a repórter da Folha em Brasília Luísa Martins explica a queda de braço entre STF e TSE.
O programa de áudio é publicado no Spotify, serviço de streaming parceiro da Folha na iniciativa e que é especializado em música, podcast e vídeo. É possível ouvir o episódio clicando acima. Para acessar no aplicativo, basta se cadastrar gratuitamente.
O Café da Manhã é publicado de segunda a sexta-feira, sempre no começo do dia. O episódio é apresentado pelos jornalistas Gustavo Simon e Magê Flores, com roteiro de Gabriela Mayer, produção de Giulia Peruzzo, Gustavo Luiz e Jéssica Cruz. A edição de som é de Pâmela Queiroz.