Pisa: Brasil avança no controle do celular e uso de IA – 08/09/2026 – Educação

O Brasil mais que dobrou, em três anos, a proporção de alunos que estudam em escolas com proibição do uso de celular —de 37% em 2022 para 81% em 2025. Ao mesmo tempo, a capacidade das unidades de ensino do país de integrar tecnologias digitais ao aprendizado permanece abaixo da média internacional.

Os dados são do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2025, divulgado nesta terça-feira (8) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A política contra o celular em sala de aula no Brasil, iniciada em janeiro de 2025, teve efeito mais rápido que o observado na média dos países da OCDE, em que a proporção passou de 34% para 49% no período.

A OCDE reconhece o banimento do celular como uma das medidas mais eficazes contra a distração digital em sala. Segundo o Pisa 2025, estudantes de escolas que proíbem o uso do celular nas dependências têm cerca de 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas, na média dos países da organização.

O Pisa avalia estudantes de 15 anos matriculados em escolas dos países e economias participantes. A cada edição, o exame se aprofunda em uma das áreas avaliadas; em 2025, ciências foi a disciplina escolhida para essa análise mais detalhada.

Além do desempenho acadêmico, o estudo coleta informações sobre o ambiente escolar e o uso de tecnologias por meio de questionários respondidos por estudantes e diretores.

O avanço nessa política não veio acompanhado da inserção de tecnologias pedagógicas nas unidades de ensino do país. Isso é o que mostra o Indicador de Capacidade Digital das Escolas, também divulgado no Pisa.

Esse mecanismo não mede a quantidade de computadores ou outros equipamentos disponíveis. A OCDE constrói o índice a partir de cinco aspectos avaliados pelos diretores:

  • existência de uma plataforma de ensino online eficaz
  • habilidade técnica e pedagógica dos professores para integrar dispositivos digitais às aulas
  • disponibilidade de recursos para que eles aprendam a usar essas ferramentas
  • incentivos para incorporar tecnologia ao ensino
  • tempo disponível para preparar aulas que utilizem esses recursos

A combinação das respostas produz um índice cuja média internacional é fixada em zero. Valores negativos indicam capacidade abaixo da média internacional e positivos, acima dela.

O Brasil registra -0,86 nesse indicador, ante -0,03 na média da OCDE. Nos extremos, os Emirados Árabes Unidos têm 0,98 e Singapura, 0,91, enquanto o Quênia registra -1,16. Na América Latina, o Chile apresenta o maior resultado, com -0,61, ainda abaixo da média da OCDE.

Alunos brasileiros já usam IA acima da média

Apesar da menor capacidade das escolas de integrar tecnologia ao ensino, o uso de ferramentas digitais pelos estudantes brasileiros supera a média da OCDE em um dos indicadores: 48% afirmam usar chatbots de inteligência artificial ao menos uma vez por semana para tarefas escolares, ante 46% na média da organização.

O tempo de uso de dispositivos digitais para atividades de aprendizagem, porém, é menor no Brasil. Os estudantes brasileiros passam, em média, 1,3 hora por dia usando esses equipamentos na escola para aprender, contra 1,7 hora na média da OCDE.

Para atividades de lazer, a diferença é menor: 1 hora por dia no Brasil e 1,1 hora na média dos países da organização.

O Pisa também avaliou os resultados do uso de equipamentos em sala. Nas aulas de ciências, por exemplo, 25% dos estudantes brasileiros relatam se distrair com dispositivos digitais, ante 28% na média da OCDE.

O ponto destacado no levantamento é que, entre os alunos brasileiros que relatam esse tipo de distração, o desempenho na disciplina é, em média, 19 pontos menor. Na média dos países observados, a diferença é de 11 pontos.

Fonte: Folha de S. Paulo